Voltar ao inicio
Negocios·

Andorra reforça controlos ao tabaco e limita horários de venda em Pas de la Casa

Aprovação governamental introduz limites rigorosos de horário, rastreabilidade e relatórios para travar o tráfico ilícito; moratória mantida para novas licenças em Pas de la Casa.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraARAEl PeriòdicBon DiaAltaveu

Pontos-chave

  • Vendas a retalho em Pas de la Casa limitadas às 07:00–20:00; transporte de bens sensíveis limitado às 06:00–20:00 em todo o país.
  • Moratória mantida para novas licenças de venda de tabaco em Pas de la Casa.
  • Vendedores com >600 000 cigarros/mês devem apresentar relatórios mensais detalhados; vendas únicas >2000 cigarros exigem NRT e nome do comprador.
  • Retalhistas consideram as regras discriminatórias e planeiam recursos; Governo diz que as medidas visam a ordem pública e vai recrutar 15 polícias.

O Conselho de Ministros aprovou e publicou um novo regulamento sobre bens sensíveis que reforça os controlos às vendas e ao transporte de tabaco no âmbito de um «plano de choque» governamental para travar o tráfico ilícito. O texto, publicado no Boletim Oficial do Principado de Andorra (BOPA) e anunciado num comunicado governamental após a sua aprovação ter sido brevemente adiada, impõe limites rigorosos de horário, obrigações ampliadas de registo e rastreabilidade, e mantém a moratória para novas licenças de venda de tabaco em Pas de la Casa.

As vendas a retalho de tabaco no núcleo urbano de Pas de la Casa estão restritas às 07:00–20:00; as vendas fora desse período ou em dias de encerramento obrigatório das lojas são proibidas. O transporte de bens sensíveis em qualquer ponto de Andorra está limitado às 06:00–20:00. O regulamento refere que estas restrições geográficas e temporais estão autorizadas por uma recente alteração à lei dos bens sensíveis, destinada a proteger a ordem pública e prevenir o desvio para o mercado ilegal. Anteriormente, as regras comerciais comuns permitiam vendas até às 22:00 e até 84 horas semanais.

Novas obrigações de transparência e relatórios visam vendedores de grande volume e operações não retalhistas. Os operadores devem registar a marca e uma descrição dos produtos de tabaco em livros de registo e em faturas de retalho (ou faturas simplificadas). Estabelecimentos que vendam mais de 600 000 cigarros por mês (equivalente a cerca de 30 000 maços de 20) — e aqueles que realizem operações não retalhistas já obrigados a manter registos — devem apresentar relatórios mensais de vendas de cigarros, especificando data, hora, número de fatura, marca e descrição, e quantidade. Vendas únicas que excedam 2000 cigarros (100 maços) devem incluir o número de registo tributário (NRT) e o nome do comprador. Os operadores acima do limiar dos 600 000 cigarros devem também manter livros de faturas emitidas, faturas recebidas e existências.

Todos os operadores de bens sensíveis estão obrigados a garantir que o pessoal recebe formação adequada e a implementar mecanismos que garantam a correta aplicação da lei. O Governo afirma que o regulamento foi elaborado em coordenação com a União dos Comerciantes de Tabaco de Andorra (UCAT) e partilhado com a Associação dos Fabricantes de Produtos de Tabaco de Andorra (AFPTA), embora reconheça que o consenso não foi unânime.

As medidas provocaram forte oposição de muitos retalhistas em Pas de la Casa, que dizem que as regras criam categorias diferentes de comerciantes e equivalem a um tratamento discriminatório da vila fronteiriça. Os lojistas e líderes da UCAT expressaram «forte descontentamento» e avisaram que o regime diferenciado pode ser considerado tratamento desigual em comparação com o resto do país. Vários comerciantes afirmaram que vão recorrer administrativamente e podem levar o caso aos tribunais.

O presidente da UCAT, Raül Calvo, reconheceu que as medidas restritivas são impopulares, mas argumentou que os limites de horário sozinhos não vão parar o contrabando e pediu sanções mais fortes contra o tráfico. Descreveu as restrições horárias como um passo temporário e disse que o sindicato manteve um amplo diálogo com a administração apesar de discordar dos novos horários.

O Governo enquadra o regulamento como uma implementação legal necessária dos poderes da lei alterada para impor proibições ou limitar geograficamente atividades por razões de ordem pública e reforçar a rastreabilidade para prevenir o desvio para o mercado ilegal. No âmbito de uma aplicação reforçada, o executivo anunciou um novo concurso para 15 polícias para reforçar a segurança em Pas de la Casa; estes postos somam-se a nove agentes já selecionados, criando 24 novos recrutas que devem iniciar formação em março-abril de 2026.

Partilhar o artigo via