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Planos de Igualdade de Género na Andorra: Apenas 60% de Cumprimento com Diferença Salarial de 22,5%

Apenas 101 das 167 empresas obrigadas apresentaram planos de igualdade de género, enquanto o Instituto Andorrano da Mulher insta a um cumprimento mais rápido para combater uma disparidade acentuada.

Sintetizado a partir de:
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Pontos-chave

  • 60,47% de cumprimento: 101/167 empresas apresentaram planos (82 em 2023, 19 em 2024); sem multas ainda.
  • Diferença salarial de género em 22,5% (2566 € homens vs. 1989 € mulheres), ligada a trabalho a tempo parcial.
  • Mulheres fazem 44,5% das tarefas domésticas vs. 19,5% homens; igualar poderia adicionar 6M€ à economia.
  • 95% das vítimas de assédio cibernético são mulheres; IAD adota Índice Europeu de Igualdade de Género.

Judith Pallarés, secretária-geral do Instituto Andorrano da Mulher (IAD), disse esta semana à Comissão de Assuntos Sociais do Conselho Geral que apenas 101 das 167 empresas obrigadas a apresentar planos de igualdade de género cumpriram, uma taxa de 60,47% que inclui 82 submissões em 2023 e 19 em 2024. Ainda não foram aplicadas multas pela Secretaria de Estado para a Igualdade, que gere as revisões e sanções, mas enfrenta limitações de recursos para verificar o cumprimento e avançar com a execução.

Pallarés incentivou as empresas não conformes — agora cerca de quatro em cada dez — a acelerarem as submissões, notando que já receberam lembretes iniciais das suas obrigações legais ao abrigo das regras de 2022. O IAD prioriza a orientação e a sensibilização em vez de penalizações, oferecendo apoio às empresas. «Preferimos um caminho pedagógico», disse ela, confiante de que a situação se normalizará em breve, embora sublinhe que a secretaria deve agir se necessário. Os planos de igualdade promovem dinâmicas laborais mais saudáveis e coordenação, acrescentou, sem necessidade de alterações legislativas para o papel consultivo do IAD.

Estes planos visam abordar a diferença salarial de género na Andorra, fixada em 22,5% nas figuras oficiais mais recentes com base em médias mensais brutas — homens em 2566 € e mulheres em 1989 €. Pallarés qualificou a disparidade como «relevante e preocupante», ligando-a parcialmente à prevalência de mulheres em empregos a tempo parcial, e enfatizou a necessidade de dados granulares para identificar causas. As mulheres assumem 44,5% das tarefas domésticas face a 19,5% dos homens; igualar as condições de trabalho poderia gerar 6 milhões de euros em benefícios económicos anuais, estimou ela. O IAD não acede diretamente aos detalhes dos planos devido a regras de competências e proteção de dados, com registo pelo governo central.

O instituto está a adotar o Índice Europeu de Igualdade de Género para acompanhar avanços no trabalho, dinheiro, conhecimento, tempo, poder e saúde, colaborando com institutos de estatística para colmatar lacunas em relatórios comparáveis e transparentes.

Sobre a despenalização do aborto, Pallarés saudou o compromisso do governo em resposta a apelos da ONU, mas notou que o IAD ainda não foi consultado, esperando contribuir quando surgir um projeto de lei. Argumentou que restringir a autonomia das mulheres equivale a discriminação.

Pallarés destacou também que 95% das vítimas de assédio cibernético são mulheres, ligando-o à radicalização juvenil influenciada por figuras de extrema-direita.

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