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AREB atualiza sobre liquidação da BPA em meio a investigações em curso e críticas à transparência

Sílvia Cunill informou a comissão de finanças de Andorra sobre a liquidação da Banca Privada d'Andorra, destacando investigações abertas a 4% dos clientes.

Sintetizado a partir de:
AltaveuDiari d'AndorraEl PeriòdicARA

Pontos-chave

  • Clientes não transferíveis: 4% do total, mas 15% do volume de fundos devido a origens não verificadas.
  • 43 contenciosas ativas: 27 criminais, 10 administrativas, 6 civis; nova queixa de ex-acionistas.
  • Liquidação desde março de 2024: ativos vendidos, sem geração de juros; prazo depende dos tribunais.
  • Oposição critica opacidade; Cunill defende confidencialidade sob supervisão judicial.

Sílvia Cunill, presidente da State Agency for the Resolution of Banking Entities (AREB), atualizou uma comissão parlamentar de finanças sobre o processo de liquidação da Banca Privada d'Andorra (BPA), confirmando que as autoridades judiciais mantêm investigações abertas, especialmente no que diz respeito a clientes não transferíveis.

Durante a sua audição perante a comissão de finanças do Conselho Geral em Andorra la Vella, Cunill relatou que estes clientes representam cerca de 4% do total, mas detêm aproximadamente 15% do volume de fundos devido a origens não verificadas. A AREB recebe pedidos regulares de informação dos tribunais, o que indica casos em curso, mas não públicos. Os relatórios divergem quanto às condenações finais por branqueamento de capitais: algumas contas referem duas, enquanto outras citam apenas uma. Cunill enfatizou que a ausência de sentenças adicionais não indica encerramentos, dada a natureza demorada e tecnicamente exigente dos processos — muitos com ligações internacionais — que obrigam o administrador judicial a preservar os ativos.

Das 188 contenciosas desde 2015, 43 permanecem ativas: 27 criminais, 10 administrativas e seis civis. Uma nova queixa-crime apresentada pelos antigos acionistas da BPA visa o conselho e o diretor-geral da AREB por alegada falsificação de contas anuais, fraude processual e prevaricação. «Temos grande confiança no sistema de justiça e que as coisas serão esclarecidas», afirmou Cunill, acrescentando que todas as ações cumprem os padrões legais.

O processo entrou em liquidação por insolvência em março de 2024, com a AREB a atuar como administradora judicial nomeada pelo tribunal sob supervisão da Batllia, em vez de autoridade de resolução. Ativos como depósitos e imóveis são vendidos progressivamente, distribuindo os proveitos em numerário aos credores; a BPA já não funciona como banco e não gera juros. Cunill não pôde indicar um prazo de conclusão, pois depende dos resultados judiciais.

Deputados da oposição contestaram a transparência da AREB. O líder do Partido Social Democrata, Pere Baró, descreveu-a como opaca e potencialmente inconstitucional ao abrigo do artigo 72.3, que obriga a administração pública a agir com objetividade, hierarquia, eficácia e transparência. Destacou a discrepância entre cerca de 500 clientes afetados e condenações mínimas, questionando por que os depósitos não geram juros durante a liquidação, enquanto os clientes enfrentam reclamações de juros em litígios. A conselheira da Concòrdia, Maria Àngels Aché, juntou-se aos apelos por pormenores sobre ativos e processos.

Cunill defendeu a confidencialidade, enraizada no estatuto de entidade privada da BPA e no controlo judicial atual, que dita o acesso a dados. A AREB nunca enfrentou uma condenação como parte civil, com as suas ações validadas judicialmente. Para além da BPA, a agência mantém enquadramentos para proteger o sistema financeiro de crises, atualizando recentemente planos de resolução com bancos para reforçar a solvência e liquidez sem fundos públicos.

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