Voltar ao inicio
Negocios·

Comerciantes prolongam Black Friday com aumento de compradores, fraudes e compras impulsivas

Lojas em Andorra la Vella e noutras zonas estendem a Black Friday para fins de semana ou semanas, o que provoca comportamentos mistos dos consumidores e cepticismo sobre as promoções.

Sintetizado a partir de:
ARAAltaveuDiari d'Andorra

Pontos-chave

  • Lojas em Andorra la Vella e noutras zonas estendem a Black Friday para fins de semana ou semanas, o que provoca comportamentos mistos dos consumidores e cepticismo sobre as promoções.

É uma manhã de meados de novembro em Andorra la Vella e as lojas já se preparam para o fim de semana mais movimentado do ano no retalho. Os funcionários baixam as grades, colocam cartazes vermelhos de saldos e preparam-se para a Black Friday — um evento comercial que, segundo os comerciantes, agora se prolonga de um dia para um fim de semana inteiro ou até uma semana. Alguns comerciantes, especialmente no setor da eletrónica, dizem que se preparam há semanas e consideram o evento excessivo; notam que outros em Espanha oferecem descontos durante todo o mês.

Os clientes abordam o período com uma variedade de atitudes. Alguns planificam as compras com cuidado, usando as promoções para adquirir itens que procuravam ou para comprar prendas de Natal antecipadamente. Outros admitem compras compulsivas ou a aquisição de coisas desnecessárias. As compras populares variam por idade: os mais jovens procuram videojogos e roupa, enquanto os mais velhos optam frequentemente por perfumes, telemóveis e eletrodomésticos.

O cepticismo sobre as promoções é comum. Vários compradores dizem ter visto os preços aumentados nas semanas antes da Black Friday, apenas para regressarem ao nível anterior e criar a ilusão de um grande desconto. Alguns utilizam sites de monitorização de preços para verificar históricos e evitar serem enganados.

Os psicólogos alertam que o evento é concebido para desencadear compras impulsivas. A psicóloga clínica Lara Garcia explica que os sistemas de recompensa antecipatória no cérebro — estimulados pela dopamina — fazem as pessoas sentirem que estão a fazer uma boa compra, enquanto mensagens e notificações constantes e chamativas produzem uma hiperativação que pode sobrepor-se à tomada de decisões racionais. O medo de perder (FOMO) também aumenta a pressão e distorce as perceções de necessidade.

Garcia recomenda passos práticos para evitar gastos impulsivos: fazer uma lista pré-compra de necessidades reais, questionar se o item seria comprado ao preço cheio, definir e respeitar um orçamento, e parar para pensar duas vezes antes de comprar.

As autoridades e especialistas em cibersegurança alertam também para um aumento acentuado de fraudes durante a Black Friday e a Cyber Monday. A Agência Nacional de Cibersegurança afirma que as fraudes cibernéticas disparam tipicamente nestas datas e espera um aumento significativo de burlas este ano, incluindo esquemas que imitam mensagens de estafetas sobre «encomendas não solicitadas» para enganar os destinatários a clicar em ligações maliciosas.

A polícia publicou conselhos detalhados para consumidores e comerciantes online. Para os indivíduos, as recomendações incluem evitar compras em Wi-Fi público, manter os dispositivos atualizados para beneficiar de correções de segurança, comprar apenas em sites oficiais e reputados, e tratar com desconfiança descontos ou ofertas invulgarmente elevados de páginas ou contas de redes sociais desconhecidas. Os consumidores devem monitorizar preços antecipadamente, usar métodos de pagamento seguros como PayPal ou cartões de crédito virtuais com saldos limitados, verificar extratos bancários regularmente em busca de transações não autorizadas, e guardar todas as provas de compra e comunicações relacionadas. Devem também estar atentos a concursos online apelativos, que podem ser tentativas de phishing para roubar dados pessoais ou dinheiro.

Os vendedores online são instados a preparar-se operacional e tecnicamente para o aumento de encomendas, de modo a evitar sobrecargas de sistemas e perdas de receita. As empresas devem reforçar medidas de segurança e monitorizar a origem e padrões das encomendas: devem ser emitidos alertas quando uma única conta faz muitas encomendas com moradas de entrega diferentes, quando as ligações provêm de países que não correspondem aos destinos de entrega, ou quando é usada uma variedade invulgar de métodos de pagamento. As empresas são também aconselhadas a implementar sistemas que validem o preço de venda no momento do pagamento para prevenir manipulações ou alterações na exibição de preços.

Os comerciantes afirmam que o governo realiza verificações periódicas e aleatórias dos preços pré-venda para prevenir práticas enganosas. Para consumidores e vendedores, o conselho combinado é planificar com antecedência, manter registos e priorizar canais seguros e comportamentos cautelosos para evitar deceções ou fraudes durante o pico de promoções.

Partilhar o artigo via