Herdados da Família Bimbo Processam Advogados por Fraude de 31 Milhões de Euros em Imóveis na Andorra
Herdados da Repostería Martínez, agora detida pela Bimbo, acusam os seus advogados de confiança de orquestrarem uma fraude multimilionária através de negócios imobiliários fictícios.
Pontos-chave
- Família investiu 31 milhões de euros via Inversiones Montellano em 2021 na Altavista, detida a 50% por empresas dos advogados e pelo promotor Alberto Fernández.
- Projeto Arbres del Tarter I vendeu apenas 11 de 45 apartamentos; advogados duplicaram alegadamente preços por m² num acordo de compensação em espécie para reter metade.
- Advogados criaram Promociones Villacor para comprar espaços premium abaixo do custo, com pagamentos iniciais mínimos.
- Segundo projeto Tarter II repetiu o esquema com empréstimo de 15 milhões de euros a empresa ligada a Fernández em financiamentos opacos.
Herdados da família fundadora da Repostería Martínez, agora detida pela Bimbo, apresentaram uma queixa-crime em Madrid, acusando os seus advogados de confiança de orquestrarem uma fraude multimilionária através de um projeto imobiliário na zona do Tarter, na Andorra.
A queixa, apresentada perante um tribunal de instrução de Madrid e assinada pelo advogado Lucas Fernández de Bobadilla, visa os advogados José Antonio García-Cruces, Manuel Corcelles e Alejandro Alvargonzález. Estes profissionais geriam os bens da família através da Inversiones Montellano, que investiu 31 milhões de euros em 2021 com o promotor Alberto Fernández — uma figura ex-militar sem experiência conhecida no imobiliário.
Documentos judiciais revelam que a entidade receptora, Altavista, era detida a 50% por Fernández e 50% por empresas controladas pelos três advogados. A família, sem competências empresariais ou jurídicas, delegara totalmente as decisões neles. «Não se tratava de um conflito de interesses: os advogados eram literalmente a outra parte no contrato», afirmou Fernández de Bobadilla.
O projeto Arbres del Tarter I prometia vender 45 apartamentos em 26 meses e devolver 41 milhões de euros. A construção atrasou-se um ano, com apenas 11 unidades vendidas. Os advogados propuseram então um acordo de compensação em espécie, no qual a Altavista ficou com 14 apartamentos no valor de mais de 20 milhões de euros, enquanto a Montellano recebeu 10. Os requerentes alegam que os preços por metro quadrado foram artificialmente duplicados para aparentar equilíbrio, permitindo aos advogados reter metade do empreendimento.
Fernández é descrito como um testa-de-ferro, assinando negócios enquanto os advogados controlavam as empresas, os fluxos de caixa e as vendas. Um exemplo chave: ele e Corcelles criaram a Promociones Villacor para comprar os espaços comerciais premium do projeto abaixo do custo de construção, com contratos a cobrir apenas 10% adiantado e o resto por pagar.
A família só tomou conhecimento destas participações após o esquema se desmoronar em abril passado, quando os advogados venderam apressadamente as suas ações na Altavista. Registos do registo comercial andorrano confirmam o seu controlo anterior. O Tribunal Superior de Andorra rejeitou o pedido de Fernández para recuperar os apartamentos; a Entre 4, subsidiária da Montellano, gere agora o local e vende unidades para recuperar fundos. O caso de Madrid pede medidas cautelares para impedir a dissipação de bens.
Um segundo projeto, Tarter II, terá replicado o esquema: mais de 15 milhões de euros emprestados a uma empresa ligada a Fernández, camuflando financiamentos opacos sem garantias reais e valores de apartamentos inflacionados para desviar parcelas prematuramente.
Fernández de Bobadilla chamou-lhe «uma fraude interna executada a partir do interior da sociedade de advogados», sem precedentes em escala. O processo prossegue.
Fontes originais
Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao: