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Líder imobiliário andorrano defende desregulamentação gradual do mercado de arrendamento

Presidente da AGIA, Gerard Casellas, pede redução da intervenção governamental em 3-4 anos face a graves faltas de oferta de arrendamento, com cepticismo sobre apoios à compra de primeira habitação.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraBon DiaEl Periòdic

Pontos-chave

  • Anúncios de arrendamento caíram 37,7% para 165 a nível nacional, 90% da procura desloca-se para compras.
  • Defende desregulamentação gradual em 3-4 anos para evitar riscos, consultas em curso.
  • Ceticismo quanto ao programa de primeira habitação: impacto limitado, desencoraja solteiros e jovens.
  • Setor em alta agora mas deve preparar-se para downturns potenciais como o de 2008.

Gerard Casellas, presidente da Associação Andorrana de Agentes e Gestores Imobiliários (AGIA), defendeu uma redução gradual da intervenção governamental no mercado de arrendamento nos próximos três a quatro anos, alertando que uma liberalização total seria inviável.

Falando após a apresentação de uma análise setorial, Casellas indicou que o Governo iniciou esta semana consultas com as partes interessadas sobre uma possível desregulamentação, em particular antes do descongelamento previsto dos preços de arrendamento a partir de 2027. Previu que o executivo introduziria controlos para permitir que o mercado absorva gradualmente os aumentos de preços. «Pensar que alguém que é proprietário de um imóvel não o pode vender quando precisa não é positivo», afirmou, acrescentando que o processo não deve exceder três ou quatro anos para evitar riscos.

Esta posição surge num contexto de grande tensão no setor de arrendamento em Andorra. Dados do académico Lluís Albert Fabra mostram apenas 165 anúncios de arrendamento ativos a nível nacional no final do ano, uma descida de 37,7% face aos níveis anteriores, com mais de 90% da procura a deslocar-se para compras e a intensificar a pressão sobre os arrendamentos.

Casellas expressou também cepticismo quanto ao programa revisto de apoio à compra de primeira habitação do Governo, que oferece garantias mas exige compromissos a longo prazo, muitas vezes em casais. Descreveu o seu impacto como limitado, dizendo que pode ajudar casos isolados mas não será decisivo. Conversas com jovens revelaram relutância em vincular-se por períodos prolongados, especialmente porque os solteiros não conseguem suportar sozinhos as prestações mensais. As agências imobiliárias não registaram qualquer aumento notável de interesse ou transações como resultado.

Apesar da atual euforia — com atividade e volumes operacionais em alta —, Casellas alertou que os ciclos mudam de forma imprevisível. O setor resistiu bem à crise de 2008 após anos de crescimento, recordou, mas a preparação para downturns só costuma começar quando a atividade abranda e os preços estagnam.

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