Modelo Económico de Andorra Esgotado, Alerta o Vereador Miró
O vereador de Santa Coloma, Joaquim Miró, critica o modelo de baixa tributação do DA há 14 anos por causar divisões sociais, investimentos falhados e crescimento insustentável.
Pontos-chave
- Modelo de baixa tributação de Andorra atrai especuladores e influencers, alargando a desigualdade entre locais e recém-chegados.
- Crítica ao retalho 'low-cost', turismo de massas e projetos falhados como o da Grifols.
- Apelos a aumentos de impostos para níveis europeus, aumentos salariais no privado ligados à inflação e congelamento de rendas.
- Alerta para fratura social e possível reação de Espanha ao estatuto de paraíso fiscal.
Joaquim Miró, vereador de Santa Coloma e empresário experiente, alertou que o atual modelo económico de Andorra — promovido pelo partido no poder Democrats for Andorra (DA) nos últimos 14 a 16 anos — chegou ao esgotamento, como evidenciam as tensões sociais e indicadores chave.
Numa recente entrevista, Miró descreveu as perceções generalizadas de colapso iminente, partilhadas por residentes e políticos. Apontou limites nos investimentos, na tributação e no modelo geral do país, argumentando que fomentou uma divisão acentuada entre trabalhadores de longa data a penar para chegar ao fim do mês e recém-chegados de elevado património que tratam Andorra como Mónaco ou Dubai. Estes investidores, atraídos pelos baixos impostos desde que as leis de investimento estrangeiro entraram em vigor há cerca de 12 a 14 anos, priorizam a especulação imobiliária em detrimento de empresas produtivas, como exemplifica o projeto falhado da Grifols.
Miró criticou a entrada de gigantes do retalho «low-cost» e o turismo de massas centrado no comércio barato, questionando se Andorra pode absorver o crescimento populacional resultante. Destacou uma fratura social crescente: criadores digitais abastados e influencers — muitas vezes chamados «youtubers» — exibem estilos de vida luxuosos nas redes sociais, usando predominantemente espanhol e podendo erodir a identidade local, enquanto o comércio tradicional declina e muitos locais enfrentam pressões financeiras.
O modelo, disse ele, atrai pessoas apenas pelas vantagens fiscais — pagando taxas efetivas tão baixas como 8-10% face a 35-40% noutros locais — sem contribuições mais amplas. Isso arrisca tensões com vizinhos como Espanha, onde Andorra é cada vez mais vista como paraíso fiscal para criadores de conteúdo direcionados a audiências espanholas.
Para resolver isto, Miró defendeu aumentos de impostos para se aproximar dos níveis europeus, incluindo o avanço dos objetivos do acordo de associação. Propôs estender os aumentos salariais ligados à inflação — já padrão no setor público — aos trabalhadores do setor privado e congelar as rendas para além de 2027. «O que não pode acontecer é o setor público receber aumentos anuais ligados ao IPC enquanto o setor privado não recebe», argumentou, instando a uma viragem para longe de investimentos agressivos e intensivos em recursos, em direção ao equilíbrio.
Fontes originais
Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao: