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Mulheres andorranas representam mais de 60% dos beneficiários de apoios económicos devido a desigualdades estruturais

Judith Pallarés, secretária-geral do Instituto da Mulher de Andorra, atribui a maioria feminina — mais de 60% — dos beneficiários de apoios económicos ocasionais a desigualdades estruturais de longa

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraBon DiaARA+3

Pontos-chave

  • Mulheres representam mais de 60% dos beneficiários de apoios económicos em Andorra devido a desigualdades estruturais, cuidados não remunerados e pensões baixas.
  • Estatísticas 2025: 65,7% no T1 (800 casos), 63,2% no T2 (371), 60,6% no T3 (356).
  • Agregados monoparentais chefiados por mulheres receberam 20,9% dos apoios no T3 2025, contra 25,1% em 2024.
  • Atrasos nos pagamentos de pensões de alimentos agravam a dependência de apoios públicos devido a processos judiciais lentos.

Judith Pallarés, secretária-geral do Instituto da Mulher de Andorra, atribui a maioria feminina — mais de 60% — dos beneficiários de apoios económicos ocasionais a desigualdades estruturais de longa data no mercado de trabalho, tarefas de cuidados não remunerados e carreiras contributivas mais curtas que resultam em pensões mais baixas, especialmente para as maiores de 65 anos.

Dados do Departamento de Estatística para 2025 confirmam o padrão ao longo dos trimestres: as mulheres representaram 65,7% dos beneficiários no primeiro (800 casos no total), 63,2% no segundo (371 casos) e 60,6% no terceiro (356 casos). Pallarés aponta que as mulheres geriram historicamente as responsabilidades domésticas sem remuneração formal ou créditos de segurança social, deixando muitas sem recursos pessoais suficientes nos anos posteriores.

A tendência estende-se aos agregados familiares monoparentais, que são maioritariamente chefiados por mulheres. Os dados do terceiro trimestre de 2025 registam famílias de «mulheres monoparentais» em 8% dos apoios e «mulheres monoparentais acreditadas» em 12,9%, totalizando 20,9%. Este valor subiu para 25,1% em 2024. Já os agregados monoparentais chefiados por homens representaram 2,4% a 3,4% em 2025 e cerca de 2-3% nos anos anteriores.

Pallarés sublinha que os atrasos nos pagamentos de pensões de alimentos agravam estes problemas, transformando dificuldades temporárias em dependência prolongada dos apoios públicos. Existem ferramentas legais como penhoras de bens e as regras estão a apertar, mas os processos judiciais arrastam-se muitas vezes. As famílias recorrem frequentemente à ajuda estatal durante meses antes de o progenitor incumpridor pagar, notou ela.

Tais lacunas, juntamente com pensões baixas, interrupções de carreira passadas e a sobrerrepresentação das mulheres em configurações monoparentais, criam riscos económicos contínuos. Pallarés descreveu estes como fatores acumulados ao longo da vida, e não problemas passageiros, arriscando a miséria enraizada para as mulheres e os seus dependentes.

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