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Pressão habitacional e rápido crescimento populacional ameaçam expansão económica de Andorra

Líderes empresariais alertam que o rápido crescimento populacional e a escassez de habitação acessível estão a criar pressões no recrutamento, serviços e setor público.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraAltaveuARA

Pontos-chave

  • Rápido crescimento populacional e falta de habitação acessível estão a sobrecarregar recrutamento, serviços e infraestruturas públicas.
  • Líderes empresariais pedem planificação coordenada de longo prazo para alinhar demografia, habitação e política económica.
  • Economistas instam à diversificação, maior produtividade e adoção de tecnologias (incluindo IA) para acrescentar valor.
  • Governo avança passos na associação à UE: pacto de gestão de fronteiras, contratações policiais e revisões ao código penal.

A recente expansão de Andorra manteve a economia ativa e o emprego elevado, mas líderes empresariais no 23.º Fórum da Empresa Familiar Andorrana alertaram que o rápido crescimento populacional e a escassez de habitações acessíveis estão a criar pressões crescentes no recrutamento, serviços e infraestruturas públicas. Os participantes disseram que o crescimento tem sido por vezes elevado em volume, mas nem sempre em qualidade ou valor acrescentado, e apelaram a uma planificação de longo prazo mais clara para alinhar as tendências demográficas com as políticas de habitação e económicas.

Daniel Armengol, presidente cessante da EFA, descreveu o crescimento do país como irregular e potencialmente insustentável, dizendo que Andorra «descolou como um foguete» em vez de crescer de forma estável como um avião. Ele alertou que o aumento da população — notando que muitos recém-chegados não fazem necessariamente parte da população ativa — amplificou tensões sociais e levou algumas empresas e famílias tradicionais a vender ativos e investir no estrangeiro. A associação apelou a um modelo partilhado do país e ao apoio do governo para ajudar as empresas a adaptar-se às mudanças iminentes ligadas ao processo de associação à UE.

A vice-presidente da EFA, Daniel Aristot, instou as empresas a serem criativas e adaptáveis no contexto internacional em rápida mudança, listando a inflação crescente, os custos energéticos e as fricções comerciais entre os desafios externos que afetam as empresas locais. Economistas no fórum, incluindo Xavier Vives do IESE, recomendaram a diversificação, maior produtividade e a adoção de novas tecnologias como a inteligência artificial para aumentar a resiliência e acrescentar valor à economia.

Os oradores debateram também laços mais profundos com a União Europeia. Ignacio Molina, cientista político do Real Instituto Elcano, argumentou que pequenos Estados avançados que aderiram ao mercado da UE tenderam a melhorar a sua prosperidade relativa, citando casos como o Luxemburgo, Chipre e Malta. Disse que a associação à UE poderia consolidar as instituições democráticas, normalizar a imagem internacional de Andorra e facilitar a mobilidade dos cidadãos. Ao mesmo tempo, Molina e outros especialistas reconheceram compromissos: uma maior alinhamento com as regras da UE traria obrigações que poderiam remodelar setores sensíveis como a banca e o turismo, e exigiria concessões na autonomia regulatória.

Funcionários do governo presentes no fórum destacaram o trabalho paralelo em segurança e administração enquanto prosseguem laços mais próximos com a UE. A ministra da Justiça e do Interior, Ester Molné, disse que as negociações sobre um acordo de gestão de fronteiras com a UE estão «muito avançadas» e podem ser finalizadas antes do final do ano; o pacto, ligado ao acordo de associação recentemente concluído, deverá incluir mecanismos de cooperação policial transfronteiriça com Espanha e França. O ministério concluiu o recrutamento para oito posições policiais, lançou um concurso para preencher 15 postos adicionais e está a preparar revisões substanciais ao Código Penal e ao Código de Processo Penal para se adaptar a padrões criminais em evolução e acelerar os processos judiciais.

Os participantes delinearam várias vias políticas para abordar as restrições habitacionais e laborais, cada uma com compromissos. Uma abordagem favorece acelerar a construção simplificando licenças, aumentando a capacidade administrativa e permitindo maior densidade onde apropriado para aumentar rapidamente a oferta. Outra restringiria o crescimento populacional para aliviar a procura de habitação, uma opção politicamente sensível que poderia agravar as faltas de mão de obra. Uma terceira expandiria programas de trabalho temporário enquanto limita a reunificação familiar automática para conter a pressão habitacional, uma medida que levanta preocupações sociais e políticas significativas e exigiria um design cuidadoso.

Oradores do fórum e funcionários concordaram que restaurar o equilíbrio exigirá uma estratégia de crescimento coerente e de longo prazo que ligue a política de habitação, o desenho do mercado de trabalho e o modelo turístico às realidades demográficas. Apelaram a reformas bem comunicadas, regulação estável para reconstruir a confiança dos investidores e cidadãos, e medidas direcionadas para aumentar a oferta de habitação sem comprometer a competitividade. Sem um roteiro partilhado, alertaram, as pressões na habitação, recrutamento e serviços públicos provavelmente intensificar-se-ão mesmo com a economia em bom andamento.

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