Tribunal de Andorra anula aprovação da lista de credores na falência da Assegurances Generals
Tribunal Superior concede audição aos antigos proprietários, revertendo o processo enquanto a liquidação prossegue com passivos de 80 milhões de euros e ativos de 52 milhões em disputa.
Pontos-chave
- Tribunal anula aprovação da lista de credores, exigindo audição dos ex-proprietários para revisão.
- Passivos superam 80 milhões de euros face a 52 milhões em ativos; ex-proprietários contestam avaliação.
- Liquidação e leilões prosseguem inalterados apesar do retrocesso processual.
- Credores criticam atrasos, pedem avaliação independente face a subidas no mercado.
O Tribunal Superior de Andorra anulou a aprovação final da lista de credores na falência da Assegurances Generals, concedendo aos antigos proprietários uma audição antes de ser validada novamente.
Esta decisão exige que o processo regresse a essa etapa específica, garantindo o direito dos ex-proprietários a rever a documentação. No entanto, o liquidatário Xavier Granyó enfatizou que não altera a liquidação em curso dos ativos nem os leilões e transferências de imóveis penhorados programados.
Granyó referiu que os antigos proprietários devem agora receber todos os registos solicitados, incluindo pormenores sobre créditos reconhecidos, montantes pendentes e elementos contabilísticos. Isto permite-lhes verificar a distribuição dos créditos e avaliar se o total da dívida pode diminuir após revisão. Os passivos globais excedem 80 milhões de euros, enquanto os ativos disponíveis são avaliados em cerca de 52 milhões de euros, criando um défice superior a 30 milhões de euros segundo a administração judicial. As partes falidas contestam isto, argumentando que o valor real dos ativos cobriria as dívidas.
O caso, aberto há seis anos, deixou centenas de credores — muitos dos quais perderam poupanças significativas — ainda à espera de recuperação. Granyó avisou que a decisão pode originar novas ações judiciais se surgirem discrepâncias, alinhando-se com o que descreveu como a estratégia dos ex-proprietários para atrasar os trabalhos. Acrescentou que disputas prolongadas podem dissuadir compradores, retardando transferências de imóveis e introduzindo incerteza no calendário de liquidação.
Apesar destas preocupações, Granyó sublinhou que a decisão não introduz alterações práticas para além da exigência da audição, uma vez que os procedimentos de falência andorranos incluem salvaguardas para a transparência e os direitos de defesa de todas as partes. O Tribunal Superior concluiu que aprovar a lista sem input prévio dos devedores violou os princípios de contraditório, defesa e igualdade.
Os credores, incluindo nacionais espanhóis, franceses e andorranos, formaram um grupo que exige recuperação total e rápida das dívidas e critica os atrasos judiciais. Destacam dificuldades na avaliação dos ativos — inicialmente feita em 2019 em meio a alterações no mercado imobiliário — e sugerem uma avaliação por perito independente, considerando as subidas recentes dos preços imobiliários confirmadas num relatório governamental. Um direito de resposta dos credores também apontou potenciais conflitos, como escrutínio sobre um antigo administrador da insolvência anteriormente contratado pela Assegurances Generals.
Fontes originais
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