Advogados andorranos criticam novo portal de jurisprudência por falta de acórdãos judiciais
Juristas censuram a plataforma recentemente lançada por ausência de decisões chave dos tribunais Batllia, forçando partilha informal e minando a transparência jurídica.
Pontos-chave
- Novo portal tem ~15 000 acórdãos vs. 17 000 do site antigo, com decisões Batllia notoriamente ausentes.
- CSJ afirma que todos os acórdãos finais são publicados, anonimizados em casos sensíveis conforme Lei Qualificada da Justiça.
- Advogados argumentam que precedentes em falta dificultam preparação de casos, fomentam incerteza, distorcem doutrina.
- Ordem dos Advogados nota ausência de queixas formais; pede acesso mais completo para maior transparência.
Advogados andorranos manifestaram preocupações quanto a lacunas no novo portal de jurisprudência, lançado a 20 de janeiro, que, segundo eles, limita o acesso a acórdãos judiciais chave e compromete a transparência jurídica.
Vários advogados relataram nas últimas semanas que, embora a plataforma atualizada ofereça melhorias técnicas, como pesquisas mais rápidas, lhe faltam certas decisões dos tribunais Batllia. Isto obriga os profissionais a partilhar informações de casos de forma informal entre si para decisões indisponíveis, dificultando a revisão de precedentes e a preparação rigorosa de processos.
Anteriormente, a antiga ferramenta de pesquisa — considerada desatualizada — continha cerca de 17 000 acórdãos pesquisáveis por palavras-chave, juízes ou outros critérios. O novo portal exibe cerca de 15 000, sugerindo que problemas na migração deixaram alguns acórdãos ausentes. Advogados notaram que decisões citadas em casos recentes permanecem no antigo site mas não no novo, criando confusão.
O Conselho Superior de Justiça (CSJ) mantém que todos os acórdãos finais são publicados, muitas vezes anonimizados para proteger dados em assuntos sensíveis como violência de género, menores, direito de família ou crimes processados privadamente. Invoca a Lei Qualificada da Justiça (3/1993, texto consolidado), que exige que os tribunais mantenham registos acessíveis de acórdãos mas limita a publicação de ordens processuais (providències e auts) que não resolvem disputas centrais. O CSJ gere a publicação oficial, particularmente para o Tribunal Superior, com o portal digital como ferramenta suplementar.
Os advogados contrapõem que a ausência de acórdãos — especialmente decisões relevantes dos Batllia por tipo de caso — afeta o trabalho diário, fomenta incerteza jurídica e distorce a doutrina judicial. Enfatizam a jurisprudência como fonte jurídica essencial, ao lado das leis e princípios gerais, indispensável para interpretar normas e resolver disputas complexas. A subdigitalização histórica de acórdãos mais antigos agrava o problema.
A Ordem dos Advogados não recebeu queixas formais, deixando a resolução ao CSJ e aos advogados afetados. Embora alguns erros do portal estejam a ser corrigidos, os profissionais pedem acesso mais completo aos Batllia para reforçar a transparência, a segurança jurídica e a confiança pública no sistema judicial de Andorra.
Fontes originais
Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao: