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Andorra propõe reformas urbanas para crescimento concêntrico e sustentável

Governo revela emendas à LGOTU para aumentar densidade nos núcleos das vilas, restringir periferias e proteger ambiente, agricultura e património

Sintetizado a partir de:
Bon DiaDiari d'AndorraEl PeriòdicAltaveuARA

Pontos-chave

  • Cinco categorias de zonamento reduzem a densidade dos núcleos históricos às subúrbios protegidos, preservando a biodiversidade.
  • Plano Estratégico Nacional alinha paróquias em infraestruturas, habitação e revisões a cada 3-10 anos.
  • Substitui terrenos não consolidados por zonas de proteção máxima; reservas para equipamentos públicos e rendas acessíveis.
  • Protege agricultura, lei da água até 2026, parque natural e património através de novas proteções.

O governo andorrano propôs reformas à Lei Geral de Ordenamento do Território e Urbanismo (LGOTU) para promover um modelo urbano concêntrico, permitindo maior densidade e altura de construção nos núcleos estabelecidos das vilas, ao mesmo tempo que impõe restrições progressivas ao tamanho, volume e dimensões mínimas dos lotes nas áreas periféricas. Esta abordagem visa garantir um crescimento ordenado e sustentável nos próximos 15-20 anos, orientado por estudos paroquiais sobre a capacidade máxima de carga, devidos no início de 2026.

O ministro do Território e Urbanismo, Raül Ferré, acompanhado pela ministra do Ambiente, Agricultura e Pecuária, Guillem Casal, e pela ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Mònica Bonell, apresentou as propostas na sua sessão final antes da comissão de estudo do Conselho Geral na segunda-feira. Ferré delineou cinco categorias de zonamento —casc antic, zona urbana, eixample urbà, zona residencial e zona suburbana i protegida— calibradas para os assentamentos e limites de capacidade de cada paróquia. A intensidade do desenvolvimento diminuiria com a distância dos centros servidos, protegendo a biodiversidade, os corredores ecológicos e a topografia natural. As paróquias poderiam introduzir quotas temporárias de volume, semelhantes ao sistema existente em La Massana, durante períodos de alta pressão.

Os ministros defenderam um Plano Estratégico Nacional colaborativo para o Ordenamento do Território e Crescimento Urbano com as paróquias, para alinhar infraestruturas, habitação, serviços e áreas naturais. Baseado em estudos de capacidade, seria sujeito a revisões intermédias a cada três a cinco anos e revisões completas a cada oito a dez, respondendo a mudanças demográficas, económicas e climáticas.

As reformas notáveis incluem a substituição de «terreno urbano não consolidado» por «terreno urbano de proteção máxima», que proibiria a maioria das construções, exceto usos limitados como refúgios de montanha. Outras medidas envolvem a reserva de espaço para equipamentos públicos e paroquiais, a simplificação das contribuições de terrenos urbanos, a incorporação de rendas acessíveis em projetos de interesse nacional e a regulação de desenvolvimentos remotos com baixa densidade e serviços essenciais para minimizar danos ambientais.

Casal alertou para as pressões sobre a agricultura, incluindo a redução dos campos de tabaco, a diminuição das áreas de prados de feno e o aumento dos peixeders — pastagens naturais íngremes que dificultam a mecanização —, agravando o declínio nos efetivos pecuários e na produção de carne local. Instou à designação de terras agrícolas como desenvolvíveis mas protegidas, para as manter como ativos viáveis para os agricultores, juntamente com uma lei da água alinhada com os padrões da UE, prevista para a primeira metade de 2026, e um parque natural nacional com as paróquias de Ordino e Canillo no próximo ano.

Bonell enfatizou as salvaguardas do património, com apenas 19 dos 71 monumentos obrigatórios a terem planos aprovados atualmente. Propôs ferramentas como planos de proteção especial, conjuntos históricos, zonas etnológicas, rotas culturais e estudos de integração paisagística para projetos perto de locais protegidos, informados por uma futura lei do património que entra em processo parlamentar na primeira metade de 2026, para reforçar a colaboração, a acessibilidade, a gestão participativa e incentivos fiscais.

Ferré sublinhou a preservação do valor dos terrenos privados, garantindo um crescimento equilibrado entre as paróquias para responder às necessidades sociais, económicas e ambientais. A comissão tem agora até finais de janeiro para apresentar as suas conclusões, o que poderá levar à criação de um grupo de redação dedicado.

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