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Andorra regista 2-3 incidentes mensais de ódio contra a comunidade LGBTI em 2025

Revisão anual dos direitos humanos revela violência persistente motivada por preconceito, lacunas legais nas proteções para pessoas trans e intersexo, e desigualdades.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraEl PeriòdicARA

Pontos-chave

  • 2-3 incidentes mensais de preconceito incluindo abusos verbais e assaltos confirmados pela polícia.
  • Lacunas no registo de crimes de ódio, proteções intersexo e apoio habitacional trans.
  • Novo decreto permite terapia hormonal para maiores de 16 via especialistas limitados; cirurgias no estrangeiro.
  • Críticas a protocolos laborais e apelos a lei LGBTI e despenalização do aborto.

A polícia andorrana registou uma média de dois a três incidentes por mês motivados por preconceito contra pessoas LGBTI em 2025, de acordo com a *Annual Review of the Human Rights Situation of Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex People*. O relatório, produzido por grupos da sociedade civil incluindo a Diversand, destaca preocupações contínuas com a violência motivada por ódio e lacunas nas proteções legais, ao mesmo tempo que nota algum progresso regulatório.

As autoridades confirmaram a taxa mensal de incidentes, que inclui abusos verbais, insultos e assaltos físicos ocasionais em espaços públicos, locais de trabalho e áreas de lazer. A Diversand reportou episódios específicos durante as celebrações do Orgulho de junho e apelou a um sistema formal para registar e classificar crimes de ódio, permitindo uma melhor prevenção e sanções. Muitas vítimas evitam queixas formais por medo de represálias ou desconfiança nos mecanismos existentes, notaram os grupos.

O documento critica deficiências no registo de crimes de ódio e nas proteções para indivíduos intersexo, cuja integridade corporal carece de legislação pública explícita apesar de protocolos não publicados do ministério da Saúde para recém-nascidos. As pessoas trans enfrentam vulnerabilidades particulares, incluindo discurso de ódio — descrito como um problema persistente — e impactos desproporcionais da crise habitacional, especialmente quando rejeitadas pelas famílias.

No que toca à saúde, um decreto de outubro regula o acesso público a cuidados de afirmação de género através da Caixa Andorrana de Seguretat Social. Aqueles com 16 ou mais anos podem receber terapia hormonal por endocrinologistas no Servei Andorrà d'Atenció Sanitària, que tem apenas três especialistas; menores de 16 anos têm direito a consultas e monitorização, enquanto cirurgias a partir dos 18 anos ocorrerão na Catalunha. Testemunhas reportaram que um especialista recusou tratamento por falta de formação, o que motivou apelos a uma educação mais ampla do pessoal. Algumas fontes notaram atrasos na operacionalização completa do acesso, aumentando riscos de automedicação sem supervisão.

Os protocolos antiassédio no local de trabalho, obrigatórios este ano pelo Secretariado de Estado para a Igualdade, foram criticados pela Diversand por se basearem em enquadramentos heterossexuais tradicionais que ignoram a diversidade de género e o assédio específico contra pessoas trans. O governo afirmou que está a rever alterações.

Outras iniciativas de 2025 incluíram formação em maio para polícia, bombeiros, agentes alfandegários e pessoal prisional no Dia Internacional contra a Lgbtifobia, mais uma conferência do Consell General pelo Dr. Jordi Reviriego sobre o género como construção social. Tensões surgiram em agosto quando a Diversand e a Stop Violències enfrentaram acusações não verificadas de exagero por parte de figuras dos media e do governo após anunciaarem uma submissão à Revisão Periódica Universal da ONU, levantando temores quanto ao envolvimento da sociedade civil.

A Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância instou a reformas nos procedimentos de reconhecimento de género, leis de parcerias do mesmo sexo e medidas contra o discurso de ódio em linha. O relatório reiterou também exigências para a despenalização do aborto com acesso seguro, gratuito e confidencial, e apelou a uma lei abrangente LGBTI. Apesar dos avanços, conclui que as proteções eficazes continuam inadequadas.

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