Vale central domina licenças de construção em Andorra e impulsiona densificação urbana
Andorra la Vella e Escaldes-Engordany reclamaram 60,6% dos 1,59 milhões de m² autorizados, contra 40,2% em 2000-2004, enquanto paróquias periféricas como Canillo perderam quota devido à menor procura de segundas habitações e planos urbanísticos mais restritivos.
Pontos-chave
- 2019–2024: 1 591 788 m² autorizados; Andorra la Vella + Escaldes-Engordany = 964 000 m² (60,6%).
- Quota central subiu de 40,2% (2000–04) para 60,6% (2019–24); Canillo caiu de 22,9% para 7,0%.
- Edifícios residenciais com média de 5 pisos (moda 7), até 15 pisos; 698 edificações em construção/renovação em 2024.
- Revisão do plano urbanístico de 2023 cortou pela metade a capacidade edificável em algumas áreas montanhosas e direcionou nova construção para centros urbanos.
Entre 2019 e 2024, as autorizações de construção em Andorra concentraram-se fortemente no vale central. As sete comunas autorizaram 1 591 788 m² de construção nesse período; Andorra la Vella e Escaldes-Engordany representaram juntas 964 000 m², ou 60,6% do total. Em contraste, durante o boom anterior de 2000–2004, foram autorizados 1 981 360 m² a nível nacional, dos quais apenas 796 500 m² (40,2%) nas duas paróquias.
A mudança para o vale central acelerou a densificação urbana e a construção mais alta. A quota de Escaldes-Engordany das superfícies autorizadas subiu de 18,9% em 2000–2004 para 32% em 2019–2024; Andorra la Vella aumentou de 21,3% para 28,6%. Outras paróquias perderam ou estabilizaram o seu peso relativo: Canillo caiu acentuadamente de 22,9% para 7,0% (menos 15,9 pontos percentuais), La Massana de 13,9% para 9,9%, enquanto Encamp (8,9% para 8,7%), Sant Julià de Lòria (7,5% para 7,4%) e Ordino (6,6% para 6,4%) mudaram apenas marginalmente.
Uma série mais longa de 1995–2024 mostra dois ciclos distintos. A superfície autorizada atingiu o pico em 2004 com 605 751 m² (8,6% do total do período) e o mínimo em 2014 com 19 892 m² (0,28%). Após forte crescimento nos primeiros anos 2000 e uma marcada queda após a crise financeira global de 2008, as autorizações iniciaram uma recuperação moderada a partir de 2015. Houve um salto notável de 89 032 m² em 2018 para 236 943 m² em 2019, uma quebra ligada à pandemia para 143 177 m² em 2020, recuperação para 215 964 m² em 2021 e subidas anuais subsequentes de cerca de 100 000 m² até 2024.
Dois fatores principais são citados para explicar a perda de quota relativa de Canillo: uma procura reduzida por segundas residências em comparação com o período anterior a 2008, e a revisão do plano urbanístico de 2023, que em algumas áreas cortou pela metade a capacidade edificável, concentrou a construção em núcleos urbanos e restringiu novas construções em vales de alta montanha. O novo plano visa explicitamente direcionar o desenvolvimento para centros urbanos e limitar a expansão em zonas montanhosas frágeis.
Os registos administrativos para 2024 mostram um aumento modesto no parque edificado. O país registou 10 699 edificações em 2024, um aumento de 0,5% (54 unidades) face a 2023. Edifícios, casas e chalés representam 68,7% do total. Urbanizações são o tipo de complexo mais comum (1 267 unidades), seguidas por blocos residenciais, pletes e bordes (886 no total). La Massana (2 111 edificações), Andorra la Vella (1 915) e Encamp detêm juntas mais de metade dos edifícios do país (52,0%); Canillo (1 187) e Ordino (1 105) têm os menores números.
O parque habitacional e instalações auxiliares também expandiram-se segundo os registos. O país conta 44 047 habitações, equivalentes a 48,4% das 90 947 unidades domiciliárias registadas, e regista 20 220 lugares de estacionamento e 12 109 arrumos no parque edificado. Todas as paróquias registaram crescimento de habitações em 2024; Andorra la Vella e Escaldes-Engordany tiveram os maiores aumentos, com +217 e +62 unidades respetivamente. O número de edificações em construção ou renovação subiu para 698 unidades, mais 157 do que em 2023.
Os dados físicos sublinham a tendência vertical. Edifícios cujo uso principal é habitação atingem até 15 pisos acima do solo, com blocos de sete pisos os mais comuns. Pisos subterrâneos, tipicamente para estacionamento, raramente excedem dez pisos e a maioria dos edifícios — cerca de 51–52% — não tem pisos subterrâneos. A altura média para edifícios primordialmente residenciais é de cinco pisos, com moda de sete.
A densificação traz vantagens claras — acesso mais próximo a infraestruturas, serviços e emprego — mas também desafios: pressão ascendente sobre os preços da habitação, redução da oferta de casas acessíveis e maior procura sobre serviços públicos e infraestruturas urbanas. A revisão do planeamento urbanístico de 2023 visa gerir estes efeitos canalizando novo desenvolvimento para centros urbanos e protegendo vales de alta montanha, uma resposta política ao padrão centrípeto evidente nas autorizações recentes. As torres de Clot d’Emprivat são citadas como paradigma da tendência recente de arranha-céus no vale central.
Fontes originais
Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao:
- Diari d'Andorra•
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- El Periòdic•
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- Bon Dia•
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- Diari d'Andorra•
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- Altaveu•
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- Diari d'Andorra•
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