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Custos de Habitação no Topo das Preocupações dos Andorranos com Recorde de 74%

Novo inquérito revela acessibilidade à habitação como principal preocupação para 74% dos residentes, com impactos diretos a afetar 42%, em meio a rendas em alta e alertas do FMI.

Sintetizado a partir de:
AltaveuARADiari d'Andorra

Pontos-chave

  • 74% citam custos de habitação como principal preocupação, mais alto desde 2019; 42% relatam impactos diretos diários.
  • Gasto médio mensal das famílias em habitação 1012,76 €, +5% YoY; novas rendas de curto prazo 1332,50 €.
  • Trânsito 19%, baixos salários 18%, imigração 13% seguem habitação.
  • FMI alerta que crise limita crescimento devido a baixa oferta de rendas acessíveis; recomenda correções políticas.

Um novo inquérito da Andorra Recerca + Innovació (AR+I) mostra os custos de habitação como a principal preocupação para 74% dos andorranos, um aumento face aos 70% no primeiro semestre do ano e o valor mais alto desde o início do registo no final de 2019. O Observatori do segundo semestre, publicado na segunda-feira e baseado em 794 residentes inquiridos entre 4 e 20 de novembro, coloca os congestionamentos de trânsito em segundo lugar com 19% — menos dois pontos — seguido de baixos salários com 18,2%, imigração com 13,4% (quase o dobro do semestre anterior) e problemas de infraestruturas como expansão urbana ou melhorias rodoviárias com 13%.

O impacto pessoal direto atingiu um recorde, com 42,3% dos inquiridos — quatro em cada dez — a relatar que os problemas de habitação afetam as suas vidas quotidianas, um aumento de dois pontos face aos 40,4% do semestre anterior. Dos 273 que citaram efeitos diretos, 120 destacaram as rendas a exceder os salários como o principal problema. Com 62% a arrendar e 38% em propriedade, dois terços dos inquilinos descrevem perturbações nas suas rotinas.

As famílias gastam agora em média 1012,76 € mensais em habitação — quer seja renda ou empréstimo —, um aumento de 5% face aos 963 € de há um ano. Os empréstimos têm uma média de 1136 €, superior às rendas de 991 € no global. Novos contratos de arrendamento inferiores a um ano têm uma média de 1332,50 €, 547 € mais do que os 785 € dos contratos com mais de 10 anos. Joan Micó, chefe de sociologia da AR+I, apontou a elevada variação nos negócios recentes, com um desvio padrão de 772 € à volta da média de 1332 €, refletindo grandes diferenças de preços.

Quase metade (46%) dos inquiridos assinou o atual contrato nos últimos três anos, e apenas um terço o mantém há mais de cinco. Cerca de 18% procura ativamente nova habitação e mostra maior abertura a áreas fora das paróquias centrais comparativamente a há dois anos.

Os custos de renda por metro quadrado também variam conforme a idade do contrato: 16,70 € para os inferiores a cinco anos, 12,10 € para cinco a 10 anos e 13,60 € para mais de 10 anos. Cerca de 40% dos arrendamentos têm contratos inferiores a cinco anos, com aumentos pós-pandemia a impulsionar as subidas recentes. Estes valores são indicativos, pois o inquérito pode não representar totalmente a composição do mercado; os contratos mais antigos envolvem muitas vezes unidades maiores e centrais protegidas pelo congelamento de 2019, que termina dentro de cerca de um ano.

Num desenvolvimento relacionado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou no seu relatório *Housing Affordability in Andorra* que a crise da habitação agora limita o crescimento económico. Cita um desequilíbrio estrutural entre oferta e procura de arrendamentos acessíveis — dominante desde que cerca de 65% das famílias arrendavam em 2019, muito acima da média europeia. Os inquilinos de baixos rendimentos enfrentam tensão aguda, com mais de 40% no escalão de rendimento mais baixo a dedicar mais de 40% dos ganhos à habitação. A construção recente centrou-se em unidades de luxo, limitando a oferta acessível e dificultando contratações no retalho, hotelaria e turismo. O FMI recomenda políticas abrangentes, incluindo mobilizar casas vazias, expandir habitação social e incentivar arrendamentos no setor privado, advertindo que limites às rendas oferecem apenas alívio temporário ao custo da fluidez do mercado.

Os resultados sublinham as crescentes pressões à medida que o congelamento das rendas se aproxima do fim em 2025.

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