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Historiador Revela Traição da Polícia Andorrana a Judeus Holandeses para Auschwitz

Em 1942, a polícia andorrana prendeu três judeus holandeses que fugiam dos nazis e entregou-os às autoridades francesas para deportação para Auschwitz, em contraste.

Sintetizado a partir de:
Bon Dia

Pontos-chave

  • Três judeus holandeses presos pela polícia andorrana em 1942 enquanto fugiam para Espanha, entregues a gendarmes franceses e alemães.
  • Grupo deportado via campos de Gurs e Drancy para Auschwitz em março de 1943; registos terminam aí.
  • Contrasta com o salvamento em novembro de 1943 da família de Carla Berson pela polícia andorrana em Pas de la Casa.
  • Papel duplo de Andorra: alguns salvamentos corajosos, outros seguiram ordens de expulsão de judeus sob figuras como Larrieu.

O historiador Claude Benet descobriu o trágico destino de três judeus holandeses — Simon Person, a sua mãe Eva e Cornelia Schilanski — presos pela polícia andorrana em 1942 enquanto tentavam fugir à perseguição nazi. Ao contrário de algumas fugas bem-sucedidas através de Andorra durante a Segunda Guerra Mundial, foram entregues às autoridades francesas e, por último, deportados para Auschwitz.

O caso, detalhado na investigação em curso de Benet sobre guias, fugitivos e espiões em Andorra durante a guerra, baseia-se num relatório de 16 de novembro de 1942 da gendarmerie francesa em Merens-les-Vals. Simon Person, nascido a 6 de abril de 1907 em Amesterdão, vivia no nº 179 da Avenue du Prado em Marselha. Descrito como holandês, judeu, casado mas sem filhos e sem profissão conhecida, disse aos gendarmes que fugiu de Marselha a 11 de novembro por caminhos escarpados até Tarascon, depois pelo vale de Vicdessos para Andorra. Lá, a polícia andorrana deteve-o e expulsou o grupo de volta a França, entregando-os às forças alemãs em Pas de la Casa.

Os alemães confiscaram o seu dinheiro e documentos de identidade antes de os gendarmes franceses os prenderem por cruzamento ilegal de fronteira. O trio foi enviado primeiro para o campo de internamento de Gurs, depois para Drancy perto de Paris — um ponto de trânsito para deportações. Os três chegaram a Auschwitz em março de 1943, após o que os registos cessam.

Este incidente contrasta fortemente com um salvamento poucos dias antes, a 12 de novembro de 1943, quando a polícia andorrana em Pas de la Casa interveio para salvar Carla Berson (mais tarde Kimhi), de 12 anos, os seus pais Sigmund e Classa Zivosa e o irmão Heins de uma patrulha de fronteira alemã. A família chegou a Madrid a 23 de março de 1944 e navegou no Nyassa até Haifa, chegando a 22 de janeiro de 1945. Em 2015, Kimhi agradeceu publicamente às autoridades andorranas na câmara do Govern pela ação dos polícias.

As descobertas de Benet destacam o papel duplo de Andorra durante a guerra. Embora alguns polícias tenham mostrado bravura, outros seguiram ordens do veguer Lesmartres ou do secretário Larrieu, levando a expulsões. Anteriormente, em setembro de 1942, Larrieu ordenou a deportação do casal judeu Rosenthal do Hotel Pyrénées em Andorra la Vella após confiscar o seu dinheiro e joias; um polícia escoltou-os até Acs. O contrabandista francês Pierre Saint Laurens recordou também ter encontrado um camião de judeus perto de Port d'Envalira, à espera de repatriação sob o comando de Larrieu.

Estes casos ilustram como as forças andorranas permitiram tanto atos de salvação de vidas como traições mortais no meio do caos da guerra de fugitivos que cruzavam as suas fronteiras.

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Fontes originais

Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao: