Massacre no restaurante de Andorra em 2006: ligações não resolvidas a figuras criminosas mortas
Atirador chinês matou dois homens no Hotel Roc de Caldes antes de se suicidar, em meio a rivalidades empresariais e rumores de crime organizado. Mortes ligadas incluem um ex-associado baleado em 2022 e outro encontrado morto na Colômbia.
Pontos-chave
- A 23 fev. 2006, Xu Hainan baleou Alain Solsona (52) e Marc Solé (31) na cabeça no Hotel Roc de Caldes antes de se suicidar.
- Atirador com condenação espanhola anterior por tráfico de armas; pistola Marian rara usada; teorias citam disputas na construção e jogo.
- Solé era candidato do PLA; ligações não confirmadas às Tríades rumoreadas.
- Mortes relacionadas: associado Joan Coromina baleado em 2022, Joan Prados Piedra morreu suspeitosamente em 2019 na Colômbia.
Duas décadas após um cidadão chinês ter baleado mortalmente dois homens andorranos num restaurante do Hotel Roc de Caldes, em Escaldes-Engordany, antes de se suicidar, o caso permanece um dos episódios de violência mais notórios de Andorra.
Os tiroteios ocorreram a 23 de fevereiro de 2006, durante um almoço entre Alain Solsona, de 52 anos, e o seu genro Marc Solé, de 31. Xu Hainan (também reportado como Xu Huainan), um residente chinês de 42 anos de Barcelona que possuía uma loja de roupa na Carrer Trafalgar, juntou-se à mesa deles. Entre as 14h e as 15h45, Hainan saiu brevemente e regressou para disparar contra a cabeça de ambos os homens à frente de outros comensais, destruindo o cartão SIM do seu telemóvel antes de virar a arma contra si próprio. Testemunhas fugiram da sala de jantar do hotel enquanto a polícia lançava uma grande investigação.
Os investigadores recuperaram uma rara pistola Marian, calibre 7,65 mm, fabricada entre 1938 e 1940 e apreciada por colecionadores. Hainan tinha uma condenação anterior em Espanha por posse ilegal de armas, tráfico e venda. As primeiras teorias centraram-se em vingança por disputas comerciais na construção, alimentadas pelos problemas de jogo de Hainan. Solsona enfrentara problemas legais repetidos durante décadas, enquanto Solé era membro do Partit Liberal Andorrà (PLA), listado em nono lugar na lista de La Massana liderada por Josep Maria Camp, que derrotou os Socialdemòcrates + Independents (Martí Bayona) e o Grup Democràtic Parroquial (Josep Garrallà).
Rumores não confirmados ligavam Hainan às Tríades chinesas, alegando que elas ordenaram a sua morte por perdas financeiras ao grupo.
O incidente encaixa na limitada história de crime grave de Andorra, incluindo um homicídio homofóbico à faca de Nuno Miguel Ribeiro em 2000 atrás de uma cava em Escaldes-Engordany e uma esfaqueamento em 2004 de um empresário russo de 48 anos no seu hotel em Soldeu, com tons de máfia. Esse caso terminou em 2018 com a absolvição de um suspeito israelo-ucraniano de 53 anos por falta de provas.
As ligações persistiram. Joan Coromina, de 61 anos, um antigo associado de Solsona conhecido como "el Pla" na região de Noguera em Espanha ou "el Coro" em Andorra, foi baleado no peito em janeiro de 2022 numa propriedade em Baronia de Rialb. Um operador de escavadora encontrou o seu corpo após não obter resposta enquanto trabalhava nas proximidades. Natural de Oliana mas já não residente lá, Coromina lidava em maquinaria agrícola, vendas de terras e mediação imobiliária nos limites da legalidade, semelhante a corretores rurais que navegam tribunais e autarquias por comissões.
Joan Prados Piedra, de 68 anos, um andorrano com histórico comercial partilhado ao lado de Solsona e Coromina, morreu em circunstâncias pouco claras a 15 de julho de 2019 num motel que geriu em Tunja, na Colômbia. Embora inicialmente considerado suicídio, o homicídio permaneceu possível. Absolvido com outros nove no julgamento de branqueamento de capitais de Andorra em 2012 — ligado a alegado tráfico de droga — por escutas telefónicas defeituosas, tinha mais de 3 milhões de euros congelados em Andorra.
Os quatro homens — Solsona, Solé, Coromina e Prados — estão agora mortos.
Fontes originais
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