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Montserrat Gimeno, a prisioneira mulher com a pena mais longa em Andorra, morre por suicídio após libertação

Montserrat Gimeno, de 67 anos, que cumpriu 15 anos por assassinar o marido, tirou a própria vida três meses após a saída da prisão andorrana, em meio a problemas de saúde.

Sintetizado a partir de:
Diari d'Andorra

Pontos-chave

  • Cumpriu 15 anos (recorde para mulher em Andorra) pela condenação por assassínio do marido em 2010, libertada em agosto de 2023.
  • Morreu por suicídio a 18 de novembro de 2023 num apartamento degradado em La Seu d'Urgell; confirmado por autópsia e amiga.
  • Após libertação: saúde fraca, afastamento familiar, instabilidade habitacional, exploração que lhe quebraram o espírito.
  • Negou sempre a culpa, citou inconsistências na prova; enterrada simplesmente sem família presente.

Montserrat Gimeno, que cumpriu a pena de prisão mais longa alguma vez imposta a uma mulher em Andorra, tirou a própria vida três meses após a sua libertação no ano passado.

A mulher de 67 anos morreu a 18 de novembro num quarto alugado no bairro de Santa Magdalena, em La Seu d'Urgell, Espanha. O corpo foi encontrado no apartamento degradado e, embora tenha sido realizada uma autópsia para confirmar a causa, os seus próximos não tiveram dúvidas de que se tratava de suicídio. «Ela não tinha vontade de viver», disse a sua única amiga, identificada como I.H., que a apoiou durante os 15 anos de prisão e o breve período em liberdade.

Gimeno foi condenada pelo assassínio do marido no verão de 2010. O Tribunal Superior condenou-a a 20 anos, mas cumpriu o máximo de 15 anos efetivos previsto na lei andorrana antes de ser libertada a 27 de agosto da prisão de La Comella. A polícia entregou-a a I.H. e ao seu novo advogado, Emili Campos, na fronteira, com apenas uma mala e alguns documentos.

Entrou na prisão aos 52 anos com uma vida confortável e saiu com saúde debilitada, afastada da família e incapaz de permanecer em Andorra. Anteriormente uma mulher culta de origem privilegiada — o pai juiz em Barcelona, o irmão médico especialista —, estudara dança e bailado em Paris e ensinara-a a crianças com deficiências intelectuais nos hotéis e instalações desportivas de Andorra.

A amiga descreveu planos ambiciosos após a libertação, incluindo viagens e a abertura de um estúdio de dança, mas a realidade foi dura. Gimeno passou por alojamentos temporários e hotéis financiados por serviços sociais antes de chegar ao precário quarto de Santa Magdalena. I.H. alegou exploração ali: aumentos súbitos de renda, exigências de pagamento de comidas de outros, dinheiro desaparecido e ameaças constantes que gradualmente lhe quebraram o espírito.

Gimeno sempre negou ter matado o marido, encontrado após ela alegadamente ter descoberto a sua aventura com uma mulher asiática e o desejo de se separar. Afirmou ter encobrado um familiar próximo. O advogado posterior destacou inconsistências, incluindo uma cirurgia recente ao ombro que limitava a sua força contra o marido de 100 kg, treinado em artes marciais; pegadas que não batiam com as dela; ausência de vestígios biológicos na roupa dele; e cartas que sugeriam outro suspeito cujo alegado crime prescrevera.

Os tribunais rejeitaram recursos para reabrir o caso. Na prisão, sob vigilância suicida desde o início, Gimeno partilhou a sua história com jornalistas como Carles Porta e escreveu cartas a media, políticos e celebridades. Problemas de saúde acumularam-se — questões digestivas, problemas de pele, fragilidade — e a reforma do trabalho prisional aprofundou o seu desespero. O contacto familiar era mínimo; I.H. era a sua única visitante regular.

Foi enterrada de forma simples em La Seu d'Urgell, com o nicho financiado por amigos e sem familiares presentes. O casal possuía apartamentos em Encamp e Canillo, um deles penhorado por dívidas à comunidade. Gimeno nomeou I.H. sua herdeira universal numa carta manuscrita, mas os bens foram para as suas duas filhas, uma adotada.

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Fontes originais

Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao: