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Mortes por Avalanche nos Pirenéus Atingem Máximo de Dez Anos com Seis Vítimas

Seis fatalidades este inverno nos Pirenéus, incluindo duas na Andorra, em meio a 30 incidentes; especialistas culpam acumulação irregular de neve, riscos das redes sociais e

Sintetizado a partir de:
Bon DiaEl PeriòdicARADiari d'Andorra

Pontos-chave

  • Seis mortes este inverno superam as cinco da última temporada; ~30 incidentes registados no início.
  • Acumulação irregular de neve, buscas de pó via redes sociais e má leitura de boletins impulsionam o aumento.
  • Especialistas aconselham analisar boletins completos, dados históricos, viagens em grupo e equipamento essencial como DVA.
  • Dicas de sobrevivência: nadar se apanhado, posição fetal se enterrado; resgates cruciais nos primeiros 15 minutos.

As mortes por avalanche nos Pirenéus este inverno atingiram seis, o total mais elevado em uma década, com duas fatalidades na Andorra em meio a cerca de 30 incidentes registados de pessoas apanhadas em derrocadas.

A investigadora da Andorra Recerca + Innovació (AR+I) Aina Margalef, geóloga, nivóloga e membro da comissão de acidentes da Association for Snow and Avalanche Knowledge (ACNA), observou que o número excede as cinco mortes da última temporada. Dados da ACNA mostram cerca de 30 casos no início da campanha, um nível que Margalef considerou excessivo.

Incidentes recentes no Principado incluem uma avalanche fatal em Freixans, Ordino, fora das zonas de esqui sinalizadas, a morte de um trabalhador da estância de Ordino-Arcalís dias após ser hospitalizado por uma derrocada dentro dos limites, e a desportista catalã Ares Masip arrastada mas ilesa no início de janeiro, como descreveu nas redes sociais.

Os especialistas atribuem o aumento a uma acumulação irregular de neve, buscas de neve em pó impulsionadas pelas redes sociais que normalizam atividades de alto risco, e subestimação frequente dos perigos. O guia de montanha Julià Joseph Porta, de Torb, enfatizou a necessidade de analisar integralmente os boletins de avalanche, não só os níveis de risco, dada a variabilidade das condições nos Pirenéus. Mesmo avaliações baixas podem ocultar perigos em ravinas ou canais que indicam instabilidade.

O chefe do Grupo de Resgate em Montanha do Serviço de Bombeiros Abel Amigó recomendou rever dados históricos de acumulação de neve juntamente com os boletins diários para escolher rotas mais seguras, como os percursos de fora-pista andorranos estabelecidos que evitam encostas expostas. No local, reavaliar constantemente em caso de nevoeiro, placas de vento ou alterações na neve, e recuar se cansado ou incerto.

O diretor da Proteção Civil Cristian Pons reforçou a necessidade de planeamento antecipado: acompanhar diariamente o tempo e os boletins, adequar as atividades às competências do grupo, evitar improvisações e optar por caminhos seguros em caso de dúvida. O equipamento essencial inclui um transceptor DVA funcional, pá, sonda, água, comida, telemóvel carregado e power bank. Viajar em grupos de pelo menos dois, preferencialmente três, e dominar o uso do equipamento.

Margalef destacou as complexidades da acumulação de neve, incluindo neve recente, placas de vento, derrocadas húmidas e camadas fracas persistentes enterradas há meses que desencadeiam grandes liberções. Riscos de nível 2 representam 39% dos acidentes, muitas vezes por má interpretação dos boletins. Identificou três fases chave: preparação através de formação em boletins, priorizar observações no terreno sobre previsões — exigindo competências em nivologia comparáveis a uma certificação de mergulho — e resposta rápida a acidentes. Resgates em grupo nos primeiros 15 minutos são cruciais, pois as hipóteses de sobrevivência caem acentuadamente depois.

Se apanhado, tentar nadar à superfície; se enterrado, adotar posição fetal, criar um bolso de ar para cerca de 20 minutos de oxigénio e ligar para o 112. Os especialistas alertaram contra "falsos especialistas" das redes sociais, recomendando fontes oficiais para orientação.

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