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Proprietários em Canillo Protestam Contra Revisão Urbanística Discreta

Proprietários acusam a comarca de disfarçar uma grande revisão urbanística como mera alteração, negando-lhes direitos de objeção e violando a lei.

Sintetizado a partir de:
Altaveu

Pontos-chave

  • Campanha de assinaturas acusa comarca de revisão completa encoberta como modificação menor, contornando objeções.
  • Alterações reduzem volumes edificáveis, aumentam tamanhos de parcelas para 6000 m², limitam alturas e usos.
  • Viola lei que limita revisões a cada 4 anos; segunda redução em 2 anos.
  • Líder da comarca Jordi Alcobé mantém silêncio face à campanha discreta dos proprietários.

Proprietários em Canillo lançaram uma recolha discreta de assinaturas a apoiar uma carta à comarca, acusando-a de realizar uma revisão urbanística encoberta disfarçada de modificação menor. Alegam que esta abordagem lhes nega o direito de apresentar objeções formais, deixando-os em «total desproteção».

A carta, dirigida ao líder do Comú, Jordi Alcobé, critica uma recente alteração ao Regulamento de Ordenação Urbanística de Canillo (POUPC), aprovada há poucas semanas. Os signatários — dezenas, embora os números exatos não sejam divulgados — expressam «profunda deceção e preocupação» com o que descrevem como uma remodelação abrangente que afeta parâmetros chave. Estes incluem tamanhos mínimos de parcelas para construção, ocupação máxima por piso, alturas permitidas de edifícios, comprimentos de fachadas, usos autorizados, percentagens de cessão e designações para unidades de desenvolvimento.

Os críticos argumentam que as alterações equivalem a uma revisão completa, limitada pela lei andorrana a uma vez a cada quatro anos. Este intervalo, dizem, permite às comarcas avaliar a eficácia de medidas anteriores e dá aos proprietários tempo para adaptar projetos, que frequentemente duram anos, proporcionando «certeza jurídica». A última alteração segue uma grande revisão de 2023 por apenas dois anos — ambas reduzindo volumes edificáveis em solos urbanizáveis — sem considerar as dificuldades dos proprietários em assimilar mudanças tão rápidas.

Ao contrário das revisões, as modificações não preveem período de alegações, marginalizando as partes afetadas. «É claro que os proprietários foram a última preocupação neste processo de modificação do POUPC», afirma a carta.

Embora afirmem a necessidade de preservar o património para gerações futuras, os signatários rejeitam a ideia de que a redução da edificabilidade sempre aumenta o valor das parcelas, como sugeriu Alcobé na apresentação da alteração. Citam exemplos: redução à metade da área edificável de 100% para 50% nos núcleos antigos das aldeias com parcelas pequenas; duplicação dos tamanhos mínimos para 6000 m² em vales de alta montanha, muitos propensos a riscos naturais; e restrições à demolição de antigas casas de lavradores, celeiros ou eiras sem valor patrimonial.

O grupo questiona se os impactos em parcelas específicas foram avaliados, dada a impossibilidade de objeção por parte dos proprietários, e acusa a comarca de violar o ritmo quadrienal das revisões ligado à evolução dos projetos aprovados. Notam que passaram 16 anos entre a aprovação inicial do POUPC e a sua primeira revisão, mas ocorreram duas grandes reduções em dois anos. «Era necessária uma redução tão drástica e generalizada na edificabilidade quando outra revisão é possível em dois anos?», pergunta a carta.

O esforço prossegue em sigilo, com alguns apoiantes — dito incluir simpatizantes da comarca — a optar por não assinar publicamente face à influência de Alcobé. Um refrão popular capta o clima: «Eles servidos, todos servidos.» A comarca não comentou.

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