Procuradores de Andorra investigam Sant Julià de Lòria por licenças ilegais e fraude no aterro
Autoridades andorranas abriram inquérito no outono de 2025 à câmara de Sant Julià de Lòria por licenças de construção em terrenos sem infraestruturas e descargas não pagas no aterro público, com prejuízos significativos.
Pontos-chave
- Investigação visa Departamento de Planeamento Urbano por licenças em lotes sem estradas, água ou esgotos há 15-20 anos.
- Camiões de entulhos descarregaram no aterro da Rabassa sem taxas ou controlos, causando prejuízos de 300.000-400.000 €.
- Câmara detetou problemas em auditoria interna, realocou funcionário e denunciou aos procuradores.
- Contratação de quatro especialistas para resolver subdimensionamento durante revisão do POUP.
Os procuradores de Andorra estão a investigar possíveis irregularidades no planeamento urbano na comarca de Sant Julià de Lòria, incluindo licenças de construção emitidas em lotes sem os serviços requeridos e descargas não pagas no aterro da Rabassa.
A investigação, iniciada no outono de 2025, visa o Departamento de Planeamento Urbano da comarca por alegadamente ter concedido licenças de construção durante 15 a 20 anos em terrenos de urbanizações incompletas. Estes lotes não cumpriam os critérios de "solar" segundo as regras locais, que exigem infraestruturas completas como estradas pavimentadas com passeios adequados, drenagem de águas pluviais, abastecimento de água potável e ligações de esgotos — ou sistemas de tratamento autónomos. As autorizações terão permitido a construção de novos chalés em ruas não pavimentadas ou locais sem estes elementos essenciais, com práticas a continuarem até ao início do atual mandato municipal.
A investigação examina também camiões de entulhos a usar o aterro municipal da Rabassa sem pagar taxas ou passar controlos obrigatórios aos veículos, num período semelhante. Esta atividade, detetada no meio de um tráfego intenso apesar de autorizações oficiais mínimas, causou prejuízos estimados em 300.000 a 400.000 euros — cerca de 10% do orçamento de investimento da comarca para 2025.
O conseller principal Cerni Cairat expressou surpresa pela duração dos problemas. Falando à comunicação social, defendeu a resposta da comarca: ao detetar irregularidades durante uma investigação disciplinar interna a um funcionário do Planeamento Urbano, identificou possíveis elementos criminais e remeteu o caso aos procuradores. "Agimos com a firmeza e a diligência que merecia", disse Cairat, notando que a lei obriga a denunciar potenciais infrações. O funcionário mantém-se ao serviço, mas foi realocado para o departamento florestal, com o processo administrativo suspenso à espera do resultado judicial.
Os procuradores têm agora de decidir se apresentam acusação formal à Batllia, que avaliará as provas para eventual julgamento. Em paralelo, o departamento enfrenta subdimensionamento crónico e ineficiências na contratualização, agravando custos em projetos como a revisão do Plano de Ordenamento Urbano da Comarca (POUP). Para resolver isto, a comarca está a contratar quatro especialistas em engenharia, arquitetura, obras públicas, urbanismo e gestão cadastral.
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