Papa Leão XIV reafirma posição antiaborto da Igreja em discurso a deputados espanhóis
O Papa Leão XIV disse ao Congresso dos Deputados de Espanha que a vida humana merece proteção desde a conceção até ao fim natural, enquadrando-a como essencial à justiça e ao propósito da lei. O discurso é relevante para as discussões sobre reforma do aborto em Andorra.
Pontos-chave
- Papa questiona justiça de sociedades que ignoram não nascidos, idosos, doentes e dependentes.
- Proteção dos vulneráveis é marco civilizacional, não só questão religiosa.
- Declarações surgem em meio de projeto andorrano de despenalização do aborto e negociações com Santa Sé.
- Papa apela a vias seguras para migração, apoio à família e supervisão ética da IA.
O Papa Leão XIV reafirmou a oposição da Igreja Católica ao aborto durante um discurso no Congresso dos Deputados de Espanha na segunda-feira, sublinhando que a vida humana deve ser reconhecida e protegida desde a conceção até ao seu termo natural.
Dirigindo-se aos deputados espanhóis, o pontífice questionou se alguma comunidade pode ser considerada plenamente justa se ignorar a criança por nascer, os idosos, os doentes, aqueles que sofrem em silêncio ou as pessoas totalmente dependentes dos cuidados dos outros. Descreveu esta proteção como um marco civilizacional, não apenas uma questão religiosa ou partidária, e insistiu que a dignidade humana sustenta qualquer ordem jurídica, anterior a consensos sociais mutáveis ou maiorias políticas. «Quando esta convicção se desvanece, os mais vulneráveis tornam-se as primeiras vítimas, e a lei perde o seu propósito mais profundo: servir e salvaguardar cada pessoa», afirmou.
As declarações têm particular peso em Andorra, um dos poucos países da Europa onde o aborto continua penalizado e o Bispo de Urgell serve como copríncipe. Elas surgem uma semana após Ladislau Baró, ministro das Relações Institucionais, ter confirmado que um texto provisório para despenalizar as mulheres em casos de aborto foi finalizado tanto técnica como conceitualmente. Baró enfatizou que o governo não agirá unilateralmente enquanto prosseguiam as conversas com a Santa Sé, ligando qualquer reforma à preservação da estabilidade institucional do país. Recusou fixar um prazo firme para avançar com a proposta, mas disse que esta deve ser resolvida antes do fim do atual mandato legislativo.
Além do aborto, Leão XIV destacou a migração como um drama trágico, instando a vias legais seguras, políticas de receção respeitosas e medidas para permitir condições de vida dignas nos países de origem dos migrantes. Rejeitou a discriminação baseada em motivos nacionais, étnicos, religiosos ou linguísticos como uma grave violação da dignidade humana universal.
O Papa abordou também a família como a primeira escola da humanidade e o fundamento natural da sociedade, tocou nas tensões internacionais e no rearma mento, e apelou a uma supervisão ética da inteligência artificial militar. Encerrando, defendeu o diálogo em meio à polarização social. Esta foi a primeira vez que um pontífice se dirigiu ao parlamento de Espanha.
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