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Política·

Espot promete despenalização cautelosa do aborto em Andorra com salvaguardas dos copríncipes

O governo prioriza despenalizar o aborto para proteger mulheres de penas, preservando o coprincipado e a Constituição. Espot planeia lei por consenso, consultando o Vaticano face à cautela institucional.

Pontos-chave

  • Xavier Espot reafirma compromisso em despenalizar aborto para mulheres sem risco ao coprincipado.
  • Governo busca contributos do Vaticano e visa reforma por consenso antes do fim da legislatura.
  • Abordagem equilibra direitos reprodutivos com proteções constitucionais após três anos de deliberação.
  • Questiona oposição PS sobre apoio à despenalização em potenciais coligações.

O governo andorrano mantém a sua posição cautelosa sobre a despenalização do aborto para mulheres, insistindo que qualquer reforma deve preservar o sistema de coprincipado e o enquadramento constitucional mais amplo.

Durante o debate de orientação política de quinta-feira no Consell General — o último deste tipo do chefe do Governo Xavier Espot após oito anos em funções —, Espot reafirmou o compromisso do executivo em avançar com a despenalização. Enfatizou o equilíbrio entre os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e as salvaguardas institucionais, argumentando que nenhuma mulher deve enfrentar penas criminais por "uma decisão tão difícil e traumática". No entanto, alertou que arriscar o coprincipado seria uma "genuína temeridade" e um movimento "aventurista" que minaria a identidade de Andorra. Espot pretende apresentar uma reforma baseada em consenso ao Consell General antes do fim da legislatura, rejeitando o imobilismo ou eleições dicotómicas sobre o tema.

O tema recebeu ênfase limitada no meio de discussões mais amplas sobre habitação, associação à UE e pensões. Fontes indicam que o governo enviou relatórios a Roma para obter contributos do Vaticano, após perturbações causadas pela morte do Papa Francisco e a chegada de Leão XIV. O ministro Ladislau Baró, responsável pelas relações institucionais incluindo com a Santa Sé, esclareceu que a Santa Seu não decide, mas sim o Consell General. Reiterou o progresso "se — e só se — tivermos elementos suficientes para avaliar que tal mudança regulatória não alterará o regime político estabelecido na Constituição".

Baró questionou também o Partit Socialdemòcrata (PS), citando declarações recentes dos líderes Gerard Alís e Maria Nazzaro. Perguntou se a sua firme posição pró-despenalização influenciaria uma potencial coligação eleitoral com a Concòrdia, já sinalizada pela oposição.

A abordagem do executivo segue mais de três anos de deliberação, priorizando a despenalização para mulheres sem alterações mais amplas que possam tensionar as instituições.

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