Espot espera aval do Vaticano à despenalização do aborto antes do fim do mandato
O líder andorrano Xavier Espot está otimista com as negociações discretas em curso, com texto provisório pronto e oito meses até ao fim da legislatura. Autoridades priorizam equilíbrio com o copríncipe Santa Sé face à pressão da oposição.
Pontos-chave
- Xavier Espot enviou propostas concretas ao Vaticano, aguardando resposta em negociações cautelosas.
- Distingue despenalização de legalização como promessa eleitoral chave.
- Emendas da oposição para aborto em riscos de saúde, violação ou incesto até 22 semanas foram rejeitadas.
- Governo prioriza equilíbrio com Vaticano sobre voto parlamentar imediato.
O chefe de Governo andorrano Xavier Espot expressou na quinta-feira a esperança de obter consenso — ou pelo menos aquiescência — do Vaticano à despenalização do aborto antes do fim do atual mandato legislativo, dentro de oito meses, notando que um texto provisório já está preparado e que propostas concretas foram enviadas à Santa Sé.
Falando no almoço tradicional da AINA, Espot descreveu as negociações em curso como exigindo uma interpretação cuidadosa dos silêncios, dada a baixa probabilidade de aprovação explícita da Santa Sé. "Temos enviado propostas concretas ao Vaticano há algum tempo, mas ainda não temos resposta", disse, sublinhando a necessidade de equilíbrio para evitar tensões através do Bispo de Urgell. Diferenciou a despenalização da legalização, chamando-a um compromisso chave da plataforma eleitoral do seu partido, e manifestou confiança em cumprir as promessas antes do fim do mandato.
Os comentários seguem a sessão do Conselho Geral de quarta-feira, onde o ministro das Relações Institucionais, Educação e Universidades Ladislau Baró explicou retrocessos ligados a mudanças no papado e no copríncipe episcopal. Baró notou sinais positivos em fevereiro de 2025 que depois esmoreceram, instando à cautela para preservar o modelo institucional da coprincipado. Não mencionou levar o assunto a voto parlamentar, priorizando o equilíbrio incondicional com o Vaticano.
Grupos da oposição defenderam emendas às revisões do Código Penal, procurando eliminar penas para abortos em casos de risco para a saúde materna ou fetal, violação ou incesto até às 22 semanas. Susanna Vela, do Partido Social Democrata, destacou os direitos das mulheres, os encargos de viagens ao estrangeiro e a ausência de processos sob a lei atual. Núria Segués, do Comú de l'Esquerra-Concòrdia, referiu críticas da ONU e da OMS, enquanto Maria Martisella, dos Demòcrates per Andorra, expressou a prontidão do seu grupo para votar o assunto antes do fim do mandato, e Carine Montaner, do Andorra Endavant, enfatizou a necessidade de apoio do Vaticano e do copríncipe francês.
As emendas foram rejeitadas. Fontes próximas das negociações sugerem que uma resposta do Vaticano poderia permitir um voto no Conselho, possivelmente alinhado com o sentimento público, embora não haja cronograma confirmado. O Governo prossegue o diálogo discreto.
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