Democratas de Andorra atrasam reforma das pensões por dúvidas financeiras em meio a pressão da oposição
Análises técnicas revelam riscos nas mudanças propostas para as pensões de Andorra, levando a atrasos enquanto a oposição critica o modelo de crescimento do governo e exige reformas centradas na qualidade de vida e habitação.
Pontos-chave
- Jordi Jordana admite lentidão na reforma das pensões devido a preocupações com receitas e dívida.
- Proposta inclui aumento de contribuições, idade de reforma e divisão em pilares de repartição e capitalização.
- Oposição acusa modelo dos Democratas de esgotado e exige foco em habitação e sustentabilidade.
- PS propõe pensões universais financiadas por impostos, desvinculadas de contribuições.
Dúvidas sobre os impactos da reforma das pensões atrasam proposta dos Democratas em meio a apelos da oposição por mudança no modelo económico
Durante o segundo dia do debate de orientação política do Consell General, Jordi Jordana, líder do grupo parlamentar dos Democratas, reconheceu que a proposta de remodelação do sistema de pensões de Andorra avança lentamente devido a preocupações com os seus efeitos financeiros. O bloco maioritário preparou uma "pré-proposta" para análise pela comissão especial de pensões no âmbito da Caixa Andorrana de la Seguretat Social (CASS), mas análises técnicas levantaram questões que devem ser resolvidas primeiro.
Os elementos principais incluem ajustes paramétricos como o aumento das taxas de contribuição para o ramo da reforma, a limitação dessas contribuições, o aumento gradual da idade de reforma ou do número mínimo de anos de contribuição para elegibilidade, e a modificação do fator de conversão do ponto de pensão. Mais controversamente, o plano prevê a divisão do ramo da reforma em dois pilares: o atual sistema de repartição ao lado de um novo modelo de capitalização. Jordana sublinhou que este continuaria a ser gerido publicamente pela mesma entidade que supervisiona o fundo de reserva, excluindo explicitamente planos privados.
Os cálculos revelaram riscos potenciais, incluindo a redução de receitas para o sistema de repartição e uma dívida mais elevada decorrente dos compromissos de pensões existentes. Com ambos os sistemas a coexistirem durante anos — dividindo os participantes à volta dos 40-45 anos —, são necessários ajustes para facilitar as transições e proteger os titulares de direitos atuais. "Esperamos ter uma proposta mais definida em breve, uma vez prontos os estudos técnicos", disse Jordana, atribuindo o atraso não à falta de vontade política de qualquer lado, mas a estes problemas não resolvidos.
O debate destacou tensões mais amplas. Os grupos da oposição — Concòrdia, PS e Andorra Endavant — uniram-se a declarar esgotado o modelo dos Democratas de 15 anos, argumentando que fomentou o crescimento sem melhorar a qualidade de vida. Cerni Escalé, da Concòrdia, apelou a uma "nova centralidade política" centrada na empatia, sustentabilidade e contenção da especulação imobiliária por estrangeiros. A líder do PS, Susanna Vela, questionou se os governos democratas tornaram Andorra um lugar melhor para viver, priorizando a habitação como o principal travão à economia e defendendo um projeto centrado nas pessoas. Carine Montaner, da Andorra Endavant, criticou a má gestão do sucesso, citando o aumento da insegurança, desafios da imigração e escassez de habitação ligada à lei omnibus.
Carles Naudi, dos Ciutadans Compromesos e alinhado com a maioria, defendeu a expansão do modelo através de setores de alto valor como IA, centros de dados, biotecnologia e turismo de qualidade, aproveitando a energia barata e o clima favorável.
Jordana defendeu o registo do governo, destacando o baixo desemprego, o aumento dos salários e o crescimento do PIB, preferindo gerir a expansão a uma recessão. Sublinhou os esforços na habitação, incluindo o reforço do stock público e incentivos para conversões de turística para residencial.
Após o debate, figuras do PS como Susanna Vela e Gerard Alís delinearam a sua visão para as pensões: saúde universal garantida pelo Estado desvinculada das contribuições, com impostos a financiar as pensões para evitar sobrecarregar trabalhadores e empresas. Planeiam uma proposta técnica após o verão, rejeitando contribuições mais altas para pensões mais baixas e acusando os Democratas de recuarem.
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