Acció Feminista critica Governo da Andorra por manter aborto criminalizado na reforma do Código Penal
Grupo feminista acusa autoridades andorranas de falta de vontade para despenalizar o aborto apesar de promessas de reforma, com o novo Código Penal a punir as mulheres por interrupções. Exigem revisão judicial por falhas constitucionais e provas globais de danos das proibições.
Pontos-chave
- Acció Feminista critica artigo 117 inalterado que pune mulheres por consentirem abortos.
- Eli Royo chama reforma de 'nada' apesar de promessas e urge recurso ao Tribunal Constitucional.
- Regras violam dignidade, igualdade e direitos de saúde, discriminando por sexo.
- Alerta para riscos de abortos inseguros ou viagens devido a penas criminais.
Acció Feminista criticou a reforma do Código Penal do governo andorrano por não despenalizar o aborto e pede um recurso ao Tribunal Constitucional contra as normas que punem as mulheres por consentirem interrupções de gravidez.
A organização destacou que a reforma, aprovada em julho e publicada em agosto, manteve inalterado o artigo 117. Esta disposição pune as mulheres que aceitam interromper as suas gravidezes. Eli Royo, secretária da Acció Feminista, descreveu o resultado como «nada» apesar de compromissos públicos anteriores, segundo comentários reportados pelo El Periódic.
Royo argumentou que a criminalização viola proteções constitucionais, incluindo a dignidade humana, a vida e a integridade física e moral, a privacidade, a igualdade sem discriminação baseada no sexo e as salvaguardas de saúde. Instou os Conselheiros Gerais que se opuseram à reforma a apresentarem um pedido de inconstitucionalidade, questionando se o Estado pode usar o direito penal para obrigar as mulheres a prosseguir gravidezes indesejadas. O grupo sublinhou que a pena recai apenas sobre as mulheres, criando uma discriminação direta baseada no sexo.
A Acció Feminista alertou que tais normas empurram as mulheres para procedimentos clandestinos inseguros ou viagens arriscadas ao estrangeiro, pondo em perigo a sua saúde num contexto de falta de apoio pós-procedimento devido ao receio legal. Royo afirmou: «Se a sua vida está em risco, não há nada que possa fazer. É como se o Estado dissesse: 'Desculpe, mas não.'»
A organização criticou tanto o governo como a oposição pela inação. «Nem o governo nem a oposição estão a fazer nada», disse Royo.
Outros grupos reagiram de forma diferente à reforma. O Stop Violències qualificou a criminalização como uma violação dos direitos humanos motivada por misoginia. A presidente do Institut Andorrà de les Dones, Judith Pallarés, considerou a remoção do aborto do Código Penal um avanço, mesmo aquém da legalização plena, pois melhoraria o apoio médico e o acesso à informação em linha com padrões globais — embora os planos do governo careçam de detalhe.
A Acció Feminista continua a pressionar por interrupção voluntária segura da gravidez e direitos sexuais e reprodutivos, através de ações legais e campanhas públicas.
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