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Politica·

Bastoneira do Colégio de Advogados da Andorra defende nomeações judiciais baseadas no mérito em vez da nacionalidade

Nova bastonária Margarida Marticella apela à priorização da experiência profissional na seleção de juízes e alerta contra preferências nacionais que prejudicam o sistema.

Sintetizado a partir de:
Diari d'Andorra

Pontos-chave

  • Priorizar CV e experiência em vez da nacionalidade andorrana para juízes; só então aplicar 'andorranização' em qualificações iguais.
  • Atrasos em processos penais até 10 anos insustentáveis; propor limite de 2 anos na investigação como nos países vizinhos.
  • Aumento de recusas de juízes devido a sobreposições com o Ministério Público cria conflitos; precisa de análise.
  • Advogados de turno mal remunerados (165-470 €/caso vs objectivo de 700 €); Colégio procura negociações para evitar faltas.

Margarida Marticella, a nova bastonária do Colégio de Advogados da Andorra, defendeu que as nomeações judiciais priorizem o mérito profissional em vez da nacionalidade andorrana, alertando que preferências baseadas na nacionalidade podem comprometer a qualidade do sistema.

Numa entrevista ao programa *Parlem-ne* da Diari TV ontem, Marticella argumentou que, embora a andorranização tenha méritos, só deve aplicar-se em casos de qualificações iguais. «Se alguém de fora tiver um currículo melhor ou mais experiência, deve obter o cargo», disse, acrescentando que avançar candidatos apenas pelo passaporte não é o caminho para garantir uma justiça equitativa.

Ela ligou o debate a desafios contínuos na formação de tribunais, particularmente quando os juízes têm experiência prévia no Ministério Público. Isso pode levar a conflitos de interesses ou «contaminação» nos processos, exigindo soluções para manter a independência dos tribunais.

Marticella destacou também um grave atraso no sistema de justiça, especialmente em processos penais que podem arrastar-se até dez anos. Descreveu a situação como «insustentável» para os cidadãos, que enfrentam incertezas prolongadas. «Uma pessoa não pode permanecer sob investigação durante dez anos sem progresso», afirmou, sublinhando a insegurança jurídica que isso cria.

O Colégio de Advogados propôs reformas ao código de processo penal, incluindo um limite de dois anos na fase de investigação — alinhado com as práticas dos países vizinhos — para evitar atrasos de uma década. Outras sugestões incluem a expansão de acordos de confissão para infrações menores, de modo a aliviar a congestão dos tribunais. Notou um aumento nas recusas de juízes, agora comuns, que justificam uma análise pelo novo órgão directivo da associação para identificar causas e soluções.

Ao abordar o trabalho de oficio, Marticella expressou preocupações sobre a remuneração inadequada dos advogados de turno, particularmente nos serviços de guarda. Os advogados suportam turnos longos por uma compensação insuficiente, disse. Nos casos civis, com cerca de 1050 designações em 2025, o pagamento médio por caso é de cerca de 165 €, enquanto os processos de família rendem cerca de 470 € — bem abaixo do marco de 700 € defendido pela associação. O grupo apresentou queixas às autoridades e procura negociações para melhorias, de modo a evitar faltas.

Marticella, recentemente eleita numa segunda candidatura que reflecte visões diversas na profissão, enfatizou a unidade para garantir uma justiça célere e uma representação eficaz dos cidadãos.

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Fontes originais

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