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Politica·

Despenalização do Aborto em Andorra Paralisada Após Discurso do Papa Leão XIV

Diálogo Governo-Vaticano congelado duas semanas após intervenção pró-vida do papa, travando projeto de lei perante ameaças da oposição e revisão da ONU iminente.

Sintetizado a partir de:
El PeriòdicARADiari d'AndorraBon Dia

Pontos-chave

  • Discurso do Papa a 9 de janeiro rejeita práticas que negam origem da vida, paralisando projeto de lei de outono.
  • Oposição PSA proporá lei em 6-8 semanas se Governo atrasar, chama banimento 'embaraço nacional'.
  • Ex-Copríncipe Vives sugere solução via aprovação francesa, proteger mulheres/médicos no estrangeiro.
  • Revisão do Comité de Direitos Humanos da ONU em março pressiona por despenalização em casos chave.

Duas semanas após o discurso do Papa Leão XIV ao corpo diplomático do Vaticano, os esforços de Andorra para despenalizar o aborto para mulheres continuam paralisados, com o diálogo Governo-Vaticano congelado e sem progressos reportados.

O discurso do papa a 9 de janeiro declarou que a Igreja "rejeita categoricamente qualquer prática que negue ou explore a origem da vida e o seu desenvolvimento." Isto desviou o ímpeto de outono, quando o ministro das Relações Institucionais, Educação e Universidades, Ladislau Baró, indicara um projeto de lei para novembro, posteriormente adiado indefinidamente. Fontes governamentais mantêm que o diálogo persiste. O porta-voz Guillem Casal descreveu-o como "aberto e ativo" após a reunião do Conselho de Ministros a 14 de janeiro, enquanto Baró confirmou informalmente esta semana que "não há atualizações por agora."

O líder da oposição Partido Social Democrata (PSA) e Conselheiro Geral Pere Baró avisou que, se o executivo não agir em seis a oito semanas, o seu partido apresentará a sua própria medida para excetar as disposições sobre aborto do Código Penal. Chamou o banimento total de Andorra "um embaraço nacional", destacando o seu estatuto entre os poucos países da Europa sem aborto legal.

O PSA defende a reforma há anos, com apoio parcial do antigo Copríncipe Episcopal Joan Enric Vives. Em entrevistas recentes à rádio COPE e à televisão Trece, Vives sugeriu uma solução: o Copríncipe Episcopal poderia reter a assinatura, como em leis anteriores opostas pela Igreja, permitindo a aprovação do Copríncipe francês. Esboçou um projeto de lei que protegeria as mulheres de penalizações e resguardaria médicos que auxiliem no estrangeiro, mantendo a proibição de procedimentos em Andorra para preservar um "Estado sem aborto". Vives referiu as proibições existentes em Andorra sobre prostituição, pornografia e aborto, mas minimizou o problema como "não um grande problema social", citando "muitos outros meios" para lidar com esses casos. Apontou os laços contínuos com o Vaticano, incluindo a visita passada do Cardeal Pietro Parolin, e expressou otimismo de que "com a ajuda do Senhor", e com a implicação do seu sucessor, um caminho se materializasse no meio da transição institucional.

Os partidos pró-governo Demòcrates e Ciutadans Compromesos, juntamente com a oposição Andorra Endavant, enfatizam o equilíbrio institucional e o quadro da coprincipado em detrimento dos direitos reprodutivos. Concòrdia apoia firmemente a autonomia das mulheres.

A pressão intensifica-se antes de uma revisão do Comité de Direitos Humanos da ONU a meio de março, que avalia o cumprimento do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos. Perguntas preliminares pedem atualizações sobre a legalização do aborto seguro quando a vida ou saúde das mulheres está em risco, em casos de violação, incesto ou gravidezes não viáveis; fim das penalizações para mulheres e prestadores; e expansão dos serviços e educação de saúde sexual e reprodutiva. A resposta de Andorra em abril referiu o Serviço Integral de Apoio à Mulher (SIAD) e um projeto de lei sobre direitos das mulheres arquivado que abordava a interrupção voluntária da gravidez. Isto surge após uma revisão periódica universal a 6 de novembro em Genebra, onde vários Estados instaram à despenalização.

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