Andorra visa projeto de despenalização do aborto para o verão em meio a negociações com o Vaticano
Governo planeia submeter proposta antes do verão, equilibrando negociações com a Santa Sé e direitos das mulheres, enquanto oposição propõe emendas e Macron intervém
Pontos-chave
- Governo submeterá projeto antes do verão, pendente de negociações com a Santa Sé.
- Oposição PS proporá emenda ao Código Penal para excluir mulheres de crimes de aborto se houver atraso.
- Chefe do Governo chama-lhe 'questão pendente' a tratar de forma discreta.
- Copríncipe francês Macron urge avanço dos direitos das mulheres sob a Constituição.
**Governo andorrano visa submissão de projeto de despenalização do aborto no verão em meio a negociações com o Vaticano e pressão parlamentar**
O governo andorrano pretende submeter ao Conselho Geral um projeto de lei que despenaliza o aborto antes do verão, disse esta semana ao parlamento o ministro das Relações Institucionais, Ladislau Baró. Responde a Susanna Vela, líder do Partido Social Democrata (PS), Baró afirmou que o calendário depende de negociações com a Santa Sé, priorizando "o equilíbrio entre as instituições e os direitos das mulheres".
Os comentários surgiram numa sessão sobre declarações do embaixador da ONU Ferran Costa relativamente às referências de cuidados de saúde de Andorra para o estrangeiro. A ministra dos Negócios Estrangeiros, Imma Tor, apoiou Costa, explicando que a declaração se referia a um cenário específico sem ligar o aborto aos cuidados rotineiros. Vela citou uma intervenção da ONU CEDAW em 2019 pela então delegada Canòlic Mingorance — agora juíza do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos — na qual mencionou o financiamento da CASS para abortos no estrangeiro. Tor confirmou que foram enviadas correções na altura.
Os partidos da oposição avançam na mesma. Vela disse que o PS apresentará uma emenda para excluir as mulheres do Código Penal caso o governo atrase, considerando-o um dever soberano em vez de procurar autorização do Vaticano. "Vamos colocar a despenalização das mulheres em cima da mesa no Conselho", afirmou, sublinhando que os casos não consentidos continuam puníveis e criticando a dependência da aprovação da Santa Sé. Sugeriu que um veto poderia desencadear um debate institucional mais amplo, embora espere progressos.
O líder da Concòrdia, Cerni Escalé, defendeu alargar a despenalização aos médicos, notando que nenhuma mulher foi acusada. "O essencial é a despenalização do médico", argumentou, para permitir referências médicas. O chefe do Governo, Xavier Espot, descreveu-o como uma "questão pendente" que o executivo aborda "de forma discreta e calma", destacando os avanços na igualdade de género na última década. O líder dos Democratas, Jordi Jordana, disse que as soluções devem encaixar na Constituição, que equilibra os direitos das mulheres e o direito à vida.
O debate coincidiu com as celebrações do Dia da Constituição. A mensagem do Copríncipe francês Emmanuel Macron instou a avançar "a luta pelos direitos das mulheres — todos os seus direitos" sob a Constituição, sem referência explícita ao aborto. Espot acolheu-a como encorajamento para prosseguir dentro dos limites institucionais. Vela viu-a como afirmação da flexibilidade constitucional para a despenalização.
O grupo cívico Stop Violències mantém reservas. A presidente Vanessa Mendoza qualificou o calendário como uma manobra dilatória, prevendo adiamento para além das eleições devido à oposição do Copríncipe Episcopal. "Estão a arrastar o processo", disse, citando desconfiança desde 2019 e apoio contínuo às mulheres através de redes internacionais. Apontou disparidades reprodutivas, incluindo o acesso à reprodução assistida.
O projeto insere-se em atualizações mais amplas do Código Penal sobre prostituição online, regras da ONU contra a corrupção e delitos digitais contra crianças, criando uma janela de reforma. Vela instou a participação da sociedade civil para impulsionar os direitos.
Fontes originais
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- Altaveu•
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- El Periòdic•
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