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Politica·

Andorra e Espanha remedem fronteira de 150 anos com tecnologia GNSS

Comissão conjunta usa GNSS de alta precisão para resolver discrepâncias ao longo da fronteira partilhada nos Pirenéus, motivada por uma invasão de parque solar.

Sintetizado a partir de:
Diari d'Andorra

Pontos-chave

  • Parque solar no Planell de la Tosa invade 16 000 m² de terreno espanhol, motivando revisão em 2021.
  • Equipas recalibram marcos rochosos de 1856-1863 com precisão GNSS <5 cm.
  • Áreas em disputa totalizam ~200 ha, incluindo Coll de Laquell (80,71 ha) e Pic de Montmalús (76,56 ha).
  • Objetivo: demarcação precisa sem alterações automáticas à fronteira, seguindo precedente França-Andorra.

Andorra e Espanha estão a usar tecnologia de alta precisão para rever a fronteira partilhada, originalmente marcada há mais de 150 anos, face a discrepâncias detetadas nos últimos anos.

O processo começou em 2021, após agentes rurais catalães terem relatado que o parque solar no Planell de la Tosa, em Pal Arinsal, invadia território mapeado como espanhol em Alt Urgell. Cerca de 16 000 dos 22 000 metros quadrados da instalação estão na área em disputa. Este incidente destacou ambiguidades antigas ao longo do flanco sul de Andorra, levando à criação de uma comissão conjunta hispano-andorrana em 2022.

Técnicos dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e do Território de Andorra colaboram com especialistas do Instituto Geográfico Nacional de Espanha e do Centro Geográfico do Exército. Estão a remedir os marcos fronteiriços — pequenas cruzes gravadas em rochas, espaçadas por distâncias registadas em varas castelhanas, uma unidade equivalente a 83,59 centímetros. Estes foram colocados entre 1856 e 1863 através de um ato notarial assinado pelo notário andorrano Rossend Jordana e Salvador Galindo, de La Seu d'Urgell, em paralelo com o Tratado de Bayonne que definiu a fronteira pirenaica entre Espanha e França.

Usando tecnologia GNSS, as equipas recalcularam estas distâncias com erros inferiores a cinco centímetros, descobrindo marcos cobertos de musgo ou erodidos. A revisão não altera automaticamente a fronteira, mas fornece um traçado muito mais preciso.

As áreas em disputa totalizam quase 200 hectares. No Coll de Laquell, entre Sant Julià de Lòria e Civís, permanecem por resolver 80,71 hectares. Perto da encosta sul do Pic de Montmalús, entre Encamp e Lles de Cerdanya, outros 76,56 hectares estão em questão. A sudoeste do Pic Negre, entre Escaldes-Engordany e Bescaran, 29,88 hectares completam o conjunto. Muitas zonas têm valor económico ou ambiental, incluindo pistas florestais, terrenos de caça e projetos energéticos.

Historicamente, a primeira menção documentada da fronteira data de 1007, numa doação do Conde de Urgell. Durante séculos, as fronteiras funcionaram mais como espaços comunais partilhados do que como linhas rígidas de soberania. Existe um precedente com a França: em 2012, após décadas de negociações motivadas por incidentes no Estany de les Abelletes, os dois lados resolveram definitivamente 46,61 hectares.

O esforço atual visa transformar esta fronteira baseada em tradição numa demarcação legalmente robusta e tecnicamente precisa, aceite por ambas as nações.

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Fontes originais

Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao: