Andorra falha em seis de sete artigos da Carta Social sobre direitos laborais
Comité Europeu identifica problemas persistentes na disparidade salarial, liberdade sindical, horários de trabalho e proteções de saúde, apesar de progressos na igualdade de género.
Pontos-chave
- Disparidade salarial de género persiste: mulheres ganham 80,6% dos 2716 euros mensais médios dos homens em 2023.
- Promoção insuficiente de sindicatos nos setores privados como indústria e plataformas.
- Horas excessivas para trabalhadores da saúde ultrapassam 60 semanais sem salvaguardas.
- Falta de saúde/segurança para teletrabalhadores, independentes e domésticos; conformidade total só na igualdade de género.
O Comité Europeu dos Direitos Sociais declarou Andorra não conforme com seis de sete artigos da Carta Social Europeia revistos nas Conclusões de 2025, publicadas esta semana após avaliação de dados submetidos pelo Principado antes de 31 de dezembro de 2024. A avaliação, que abrange 20 países incluindo Alemanha, Eslovénia, Letónia e Áustria, destaca problemas persistentes nos direitos laborais em meio a modelos de trabalho em evolução.
A não conformidade abrange os Artigos 2.1, 3.1, 3.2, 3.3, 4.3 e 5. Ao abrigo do Artigo 4.3, mantém-se uma significativa disparidade salarial de género, com os homens a ganharem em média 2716 euros mensais em 2023 face a 2189 euros para as mulheres — uma diferença de 527 euros, equivalente a as mulheres receberem 80,6% dos salários masculinos. Isto representa uma ligeira redução face a 2022 (2602 euros vs 1926 euros, diferença de 676 euros), mas o comité notou a ausência de progresso mensurável. O Artigo 5 aponta para uma promoção insuficiente da liberdade sindical, particularmente em setores de baixa sindicalização como a indústria privada, plataformas digitais e trabalho doméstico. Os sindicatos representam principalmente funcionários públicos, com presença mínima no setor privado — candidatos sindicais apareceram numa única eleição recente de representação de trabalhadores, na SAAS. Apesar de avanços como comités empresariais, não há medidas específicas para áreas sub-sindicalizadas.
O Artigo 2.1 refere horas excessivas para trabalhadores da saúde e serviços sociais, que frequentemente ultrapassam 16 diárias, 60 semanais ou mesmo 72 horas fora de casos excecionais. O relatório critica a ausência de salvaguardas para horas extra, serviços de urgência e períodos de guarda não ativa, que recebem pagamento parcial mas não contam como trabalho nem descanso. Os Artigos 3.1, 3.2 e 3.3 identificam lacunas em saúde e segurança para teletrabalhadores, trabalhadores de plataformas, independentes e pessoal doméstico. Não existem políticas nacionais para riscos psicossociais; os inspetores do trabalho não têm poderes de entrada em habitações; e as proteções para trabalhadores remotos ou independentes continuam inadequadas, apesar de enquadramentos gerais.
Andorra cumpre totalmente o Artigo 20 sobre igualdade de oportunidades entre mulheres e homens. O comité elogiou os aumentos constantes na participação feminina no mercado de trabalho, a forte representação feminina em cargos superiores da administração pública e judiciais, medidas de transparência salarial, classificações profissionais neutras e um projeto de lei de igualdade pendente para alinhar progressivamente licenças de maternidade e paternidade.
O porta-voz do Governo, Guillem Casal, minimizou as conclusões, insistindo que Andorra "não está numa má situação" em direitos laborais. Enfatizou que a maioria dos países revistos tem menor conformidade e que uma nova avaliação refletiria avanços de 2025. O executivo vê as observações como orientação não punitiva — uma "folha de rota construtiva" — e não como sanções.
Medidas pós-2024 incluem alterações à Lei das Relações Laborais, negociadas via Conselho Económico e Social com sindicatos e empregadores para simplificar comités empresariais (agora no parlamento); reforço da recolha de dados sobre salários de género e registo de planos empresariais de igualdade sob a Lei da Igualdade; e esforços sobre riscos psicossociais em novas formas de trabalho. Casal reafirmou o compromisso com a Carta, ratificada em 2004.
O líder da Unió Sindical d'Andorra, Gabriel Ubach, criticou duramente o Governo, dizendo que o relatório devia fazer os seus membros "pendurarem a cabeça de vergonha". Acusou os executivos de darem pouca importância aos direitos sociais, priorizando grandes empresas sobre os trabalhadores, e apelou a uma inversão total de política e eleições antecipadas.
Fontes originais
Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao:
- Altaveu•
Ubach considera que l'informe de la Carta Social hauria de "fer caure la cara de vergonya" a Govern
- Diari d'Andorra•
Mal de molts...
- Bon Dia•
Toc d’alerta per la bretxa salarial i la manca de llibertat sindical
- El Periòdic•
El Govern rebaixa l’abast de l’informe i mira cap a la resta de països europeus: “No estem en una situacio exagerada”
- Diari d'Andorra•
Casal defensa que Andorra "no està en una situació dolenta" en matèria de drets laborals
- El Periòdic•
El Consell Europeu alerta de jornades excessives, bretxa salarial i mancances en llibertat sindical al Principat
- ARA•
El Consell d'Europa alerta que no hi ha hagut progressos en la bretxa salarial a Andorra
- Altaveu•
El Consell d'Europa recrimina a Andorra l'excessiva bretxa salarial i la poca llibertat sindical
- Diari d'Andorra•
El Consell d’Europa detecta sis incompliments d’Andorra en drets laborals
- Altaveu•
Clatellada del Consell d'Europa per la manca de garantia d'alguns drets laborals