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Politica·

Andorra Avança em Negociações com o Vaticano para Despenalizar Mulheres que Recorrem ao Aborto

Governo confirma negociações discretas em curso para isentar mulheres das penas por aborto no código penal, apesar da condenação do Papa Leão XIV.

Sintetizado a partir de:
AltaveuDiari d'AndorraARAEl Periòdic

Pontos-chave

  • Negociações visam despenalizar apenas mulheres, mantendo penas para profissionais médicos.
  • Papa Leão XIV chamou o aborto de 'deplorável' no discurso de Ano Novo, referindo Andorra.
  • Grupo parlamentar GPS exige progresso mais rápido, ameaça projeto de lei próprio se houver atrasos.
  • Grupos de mulheres divididos: feministas criticam limites, grupo cristão apoia o papa.

O porta-voz do governo Guillem Casal confirmou na quarta-feira que as negociações com o Vaticano para isentar mulheres das penas por aborto no código penal de Andorra estão em curso, apesar da recente condenação do Papa Leão XIV à prática.

Falando após o Conselho de Ministros, Casal sublinhou o foco estreito do governo: eliminar a responsabilidade criminal para as mulheres, mantendo sanções para profissionais médicos e evitando uma legalização mais ampla. «O objetivo no debate não é a legalização ou despenalização do aborto como tal, mas exclusivamente a despenalização da mulher», afirmou. Exortou a abordar a questão com calma, consenso e discrição para equilibrar os direitos das mulheres com o sistema de coprincipado de Andorra. Casal rejeitou sugestões de impasse, notando progresso discreto constante desde a reunião com o Vaticano em outubro, e confirmou que um grupo parlamentar — o Grup Parlamentari Socialdemòcrata (GPS) — solicitou uma atualização, com uma reunião realizada logo depois.

Os comentários do papa constaram no seu discurso de Ano Novo aos diplomatas, incluindo o enviado de Andorra Carles Álvarez Marfany. Chamou o aborto de «deplorável», ligando-o à eutanásia e à maternidade de substituição como ataques à dignidade humana, e criticou o financiamento público de procedimentos transfronteiriços em vez de apoio às mães e famílias — uma aparente referência a Andorra.

As declarações de Casal ecoaram as da ministra do Interior Conxita Marsol de segunda-feira e a posição dos Demòcrates per Andorra de 14 de janeiro, tratando a posição do papa como doutrina eclesial de longa data em vez de um obstáculo. O primeiro-ministro Xavier Espot reiterou na quinta-feira que os abortos nunca poderão ocorrer em Andorra, mas defendeu a despenalização de mulheres que os procurem no estrangeiro, mantendo sanções territoriais e considerando opções de financiamento da CASS sem pressa para mudanças.

Na quinta-feira, os deputados do GPS Susanna Vela, Pere Baró e Laia Moliné reuniram-se com Espot e o ministro das Relações Ladislau Baró. Exigiram progresso acelerado, um calendário claro e uma abordagem mais assertiva, criticando as negociações passadas como insuficientes face aos amplos apelos públicos por direitos reprodutivos. O governo reafirmou o compromisso, mas não forneceu datas firmes. O GPS ameaçou apresentar o seu próprio projeto de lei se os atrasos persistirem, sublinhando imperativos democráticos.

Grupos de mulheres mantêm-se críticos. A presidente da Acció Feminista Laia Ferré chamou a abordagem apenas para mulheres inadequada, citando o papel de copríncipe de França. Maria Geli, da Associació de Dones d'Andorra, descreveu as visões do papa como regressivas. O grupo cristão de mulheres Stella Mons, no entanto, alinhou-se totalmente com Leão XIV, priorizando a proteção à vida e o apoio à família.

As negociações tiveram origem sob o Papa Francisco com o relatório do bioeticista Federico Montalvo, que propunha despenalizar médicos e financiamento da CASS para procedimentos no estrangeiro ao estilo do modelo alemão. A promessa de Espot em setembro de 2025 de submeter o tema ao parlamento atrasou-se após as negociações de outubro com Espot, Baró e Álvarez, atribuídas a obstáculos técnicos. O apoio anterior do copríncipe episcopal Josep-Lluís Serrano às mulheres em distress foi omitido da sua mensagem de Natal.

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Fontes originais

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