Primeiro-ministro de Andorra admite erro no referendo sobre acordo com a UE
Xavier Espot considera que o anúncio de um referendo sobre a associação à UE politizou em excesso o debate, mas compromete-se a realizá-lo este mandato, se possível.
Pontos-chave
- Espot admite que anúncio do referendo radicalizou o debate, contrastando com abordagem de San Marino.
- Referendo prometido para este mandato se prazos permitirem, possivelmente antes de 2027.
- Negociações com a UE avançam; aprovação unânime esperada sob presidência cipriota em 2026.
- Trabalham na separação de partes não mistas para aplicação provisória à espera de ratificação.
O chefe de Governo de Andorra, Xavier Espot, reconheceu numa reunião de Natal com jornalistas na terça-feira que o anúncio de um referendo sobre o acordo de associação à UE foi um erro, pois politizou em excesso o debate e radicalizou as posições em torno do projeto. Assumiu a responsabilidade coletiva, contrastando a abordagem de Andorra com o processo mais técnico e de consenso de San Marino, que evitou doses elevadas de "politique politicienne".
Apesar da autocrítica, Espot reafirmou o compromisso do executivo em realizar o referendo este mandato legislativo, se os prazos o permitirem, embora tenha sublinhado a incerteza sobre se será possível antes de 2027. O compromisso, herdado do anterior líder Toni Martí e ratificado em 2019 e 2023, termina com o atual Governo, cabendo decisões futuras ao sucessor. Deixou em aberto todos os cenários plausíveis, incluindo a possibilidade de as próximas eleições legislativas funcionarem como um plebiscito de facto sobre a questão.
As negociações sobre a natureza jurídica do acordo — partilhado com San Marino — avançam, mas não concluirão sob a presidência dinamarquesa da UE. Espera-se agora uma decisão sob a presidência cipriota, a partir de 1 de janeiro de 2026, com aprovação do Conselho provavelmente no primeiro trimestre, possivelmente já em janeiro ou fevereiro. Espot antecipa aprovação unânime tanto no conteúdo como no estatuto misto, limitado a dois elementos menores: governação fiscal virtuosa e investimentos de carteira, equivalendo a "talvez 0,0001% do conteúdo".
Para permitir a aplicação provisória da maior parte do texto, as autoridades andorranas trabalham com a Comissão Europeia na separação destas disposições. "Estamos a colaborar com a Comissão para extrair estas duas partes e manter o resto do acordo vivo, pelo menos até serem ratificadas pelos parlamentos dos Estados-membros", disse Espot. Os elementos não mistos poderiam então implementar todo o seu potencial de forma independente, embora as alterações jurídicas internas exijam um voto positivo no referendo.
O referendo, se viável este mandato, incluiria duas perguntas: aprovação do acordo na íntegra e consentimento para a implementação provisória das partes não mistas. O ministro do Ambiente, Guillem Casal, afirmou que o Governo seguiria este roteiro mesmo que se prolongasse para além da atual legislatura, visando um voto este mandato se os calendários alinharem. Espot reiterou: "Vamos realizar o referendo? Sim. Vamos a tempo?"
Fontes originais
Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao:
- Diari d'Andorra•
Espot reconeix que es va precipitar en l’anunci del referèndum de la UE
- El Periòdic•
Intents per salvar políticament el projecte de l’Acord
- ARA•
Govern reafirma la voluntat de celebrar el referèndum de l'acord d'associació
- El Periòdic•
Espot vol apartar els articles de l’Acord sobre inversió en cartera i governança fiscal per aplicar-ho provisionalment
- Altaveu•
Espot deixa oberta la porta a unes eleccions plebiscitàries sobre la UE sense tancar cap escenari