Andorra propõe criminalizar a violência digital contra mulheres e apresenta IA para detetar linguagem não inclusiva nos media
O Instituto para as Mulheres apresentará uma petição aos legisladores com base em recomendações da ONU e da UE, enquanto um novo sistema interno de IA detetou perto de 38 000 expressões não inclusivas em 19 000 artigos num piloto, propondo alternativas neutras em termos de género.
Pontos-chave
- IAD pedirá ao Conselho Geral que criminalize a violência digital contra mulheres, citando recomendações da ONU e UE.
- Ferramenta de IA interna analisou 18.930 artigos (maio-nov. 2025) e detetou ~37.700 expressões não inclusivas.
- Cerca de 85% das deteções foram masculino genérico; outros problemas incluíram referências masculinas a profissões e estereótipos.
- Ferramenta para uso interno, sugere alternativas neutras em género, pode vir a incluir comentários ou orientação editorial; críticos citam preocupações linguísticas e de liberdade de expressão.
O Instituto Andorrano da Mulher (IAD) pedirá ao Conselho Geral que classifique a violência digital contra mulheres como crime, citando recomendações de organismos internacionais, incluindo as Nações Unidas e a União Europeia. Judith Pallarés, secretária-geral do instituto, disse que a proposta responde a comentários e mensagens hostis em sites de notícias e redes sociais que visam desproporcionadamente as mulheres e «geram uma grande quantidade de ódio», e sublinhou que «a violência digital contra mulheres é também violência» que exige uma regulação legal clara.
Ao mesmo tempo, o IAD apresentou uma ferramenta de inteligência artificial interna, desenvolvida com a consultora tecnológica Dualimind, para analisar a linguagem inclusiva nos media andorranos. O sistema, destinado ao uso interno do instituto e não disponível atualmente para jornalistas, examina artigos para identificar linguagem sexista e não inclusiva, classifica tipos de viés e propõe formulações alternativas e recomendações para melhorar a representação de género.
Num teste-piloto entre 12 de maio e 30 de novembro de 2025, a ferramenta analisou 18 930 artigos de cerca de dez publicações nacionais e detetou cerca de 37 700 expressões ligadas a linguagem não inclusiva — uma média de quase duas expressões sinalizadas por artigo. O achado mais frequente foi o uso do masculino genérico, que representou cerca de 85% das deteções. Referências a cargos e profissões expressas apenas no masculino constituíram cerca de 12,6% dos casos. Categorias menos frequentes incluíram tratamento diferenciado, expressões depreciativas, denominações femininas condicionais, estereótipos e casos isolados de racismo, xenofobia ou homofobia.
O IAD afirma que a ferramenta oferece alternativas concretas — sugerindo termos coletivos (por exemplo, «corpo discente» ou «corpo docente») e formulações neutras em género («pessoas», «público» ou «cidadania») — para ajudar os media a produzir textos mais inclusivos. Pallarés enfatizou que o objetivo do instituto não é fiscalizar redações, mas fornecer recursos, formação e opções construtivas para melhorar a prática editorial e a qualidade da comunicação pública.
A versão atual não analisa comentários de leitores ou interações em redes sociais; a expansão do sistema para incluir comentários está planeada para uma fase posterior. Pallarés alertou que incluir comentários provavelmente aumentaria o número de casos detetados de racismo ou xenofobia e disse que a ferramenta será refinada para melhorar a precisão e utilidade no monitorizar e informar propostas de política.
O IAD pretende continuar a desenvolver a plataforma e poderá, numa fase futura, considerar oferecer orientação editorial ou partilhar alternativas diretamente com os media. Por enquanto, o instituto apresenta o sistema como um instrumento de diagnóstico e educativo para objetivar padrões linguísticos recorrentes e apoiar o seu papel estatutário de promover comunicações livres de viés e estereótipos.
Alguns comentadores e editoriais questionaram a viabilidade e implicações de alterar normas linguísticas enraizadas como o masculino genérico, e levantaram preocupações sobre potenciais efeitos na liberdade de expressão. Crónicas de opinião argumentam que o masculino genérico é normativo no catalão e noutras línguas românicas e que esforços para alterar o uso estabelecido arriscam fricções sociais e linguísticas. O IAD afirma que a sua abordagem se centra na promoção da igualdade e na prestação de soluções práticas em vez de impor sanções ao conteúdo jornalístico.
Ao combinar uma proposta legal sobre violência digital com o teste-piloto de análise linguística, o IAD afirma que visa enfrentar tanto o abuso online que afeta desproporcionadamente as mulheres como as práticas linguísticas quotidianas que moldam a perceção pública. O instituto enquadra estas medidas como parte de um esforço mais amplo para reforçar a proteção contra novas formas de agressão e discriminação em ambientes virtuais e para melhorar a forma como a comunicação pública representa todos os cidadãos.
Fontes originais
Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao:
- Diari d'Andorra•
L’Institut de les Dones vol que sigui delicte la violència a xarxes socials
- Bon Dia•
La croada contra el masculí genèric
- El Periòdic•
Canviar el llenguatge és canviar el relat
- El Periòdic•
L’Institut Andorrà de les Dones presenta una eina pionera per detectar usos no inclusius en els mitjans de comunicació
- Bon Dia•
L'IAD recomanarà la tipificació del delicte de violència digital envers les dones
- Diari d'Andorra•
L’Institut de les Dones proposa tipificar la violència digital
- Altaveu•
L'Institut de les Dones proposarà tipificar la violència digital com a delicte al Consell General