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Politica·

Andorra visa corrigir lacunas nas leis laborais antes da ratificação do PIDESC

Governo identifica reformas nos direitos sindicais, licença de maternidade e segurança para alinhar com o pacto da ONU, em meio a críticas sindicais às falhas da inspeção do trabalho.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraAltaveu

Pontos-chave

  • Lacunas no Artigo 8: negociação coletiva e greves limitadas; reformas em curso.
  • Estender licença de paternidade e rever regras de emprego de menores para certeza jurídica.
  • Faltam regulamentos de SST para riscos químicos, biológicos e psicossociais.
  • Sindicatos criticam Inspeção do Trabalho por rejeitar queixas e atrasos de +24 meses.

O governo andorrano identificou várias lacunas nas suas leis laborais que devem ser corrigidas antes da ratificação do Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais (PIDESC), assinado a 23 de setembro na Assembleia Geral das Nações Unidas.

A ratificação aguarda agora aprovação do Consell General, que abriu um período de emendas após receber o documento do executivo. Relatórios acompanhantes de vários ministérios, incluindo um da diretora do Departamento de Emprego e Trabalho, Laura Vilella, avaliam o cumprimento dos padrões do pacto. Os responsáveis descrevem o enquadramento laboral de Andorra como moderno e coerente, alinhado em grande parte com os requisitos em direitos laborais, condições justas, representação sindical e proteção à maternidade. No entanto, são necessárias reformas proativas para evitar futuras recomendações do Comité da ONU para os Direitos Económicos, Sociais e Culturais, que analisará relatórios periódicos pós-ratificação.

As principais áreas de melhoria centram-se no Artigo 8, que abrange direitos sindicais, negociação coletiva e greves. Embora a base legal apoie a liberdade sindical, a representação coletiva tem sido historicamente limitada. Reformas acordadas por sindicatos e empregadores estão a avançar para permitir acordos coletivos e mecanismos reais de participação. O Artigo 10.2, sobre proteção à maternidade e à infância, beneficia de salvaguardas existentes fortes e medidas de equilíbrio entre vida profissional e familiar, mas os responsáveis defendem a extensão das licenças — particularmente a de paternidade —, com um projeto de lei relacionado em curso. As regras de emprego para menores também exigem revisão, pois as disposições atuais dão às autoridades laborais ampla discricionariedade na aprovação de contratos, podendo faltar certeza jurídica.

A saúde e segurança no trabalho cumpre em grande parte, embora faltem regulamentos importantes para riscos ambientais mais amplos, como perigos biológicos ou químicos, agentes físicos, carcinogénicos, mutagénicos e questões psicossociais emergentes, como o stress no local de trabalho.

Em paralelo, a Unió Sindical d’Andorra (USdA) criticou a Inspeção do Trabalho por falhar na proteção efetiva dos trabalhadores. Num comunicado ontem, o porta-voz sindical Fernando Galindo disse que o serviço «não está a exercer a sua função de garante dos direitos dos trabalhadores». A USdA alega que rejeita rotineiramente queixas de trabalhadores, ou demora mais de 24 meses a agir quando as aceita, deixando os trabalhadores sem resoluções prévias em tribunal e sem acesso a detalhes de inspeção como não partes nos processos. Contrasta isso com práticas europeias, onde as administrações laborais intervêm rapidamente antes de passos judiciais, sem riscos de custos para trabalhadores perdedores ou perda forçada de emprego em casos de despedimento. O sindicato também destacou os despedimentos não causais como facilitadores de cessaçãoes arbitrárias.

O Ministério da Educação afirma o acesso não discriminatório a ensino gratuito e obrigatório dos 6 aos 16 anos, enquanto o Departamento da Cultura aponta garantias constitucionais e políticas públicas para a participação cultural. Os Negócios Estrangeiros nota que os relatórios cobrirão a implementação, medidas tomadas e desafios, permitindo respostas às recomendações do comité.

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