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Politica·

Andorra rejeita listas abertas nas eleições paroquiais

Consell General vota contra a proposta da Concòrdia para listas totalmente abertas, receando fragmentação, personalismo e instabilidade devido a poucos votos

Sintetizado a partir de:
El PeriòdicAltaveuDiari d'AndorraARA

Pontos-chave

  • Consell General rejeitou proposta de listas abertas da Concòrdia; Demòcrates e Ciutadans Compromesos votaram contra.
  • Ciutadans Compromesos alertou para risco de influencers ou figuras vulgares vencerem com poucos votos em paróquias pequenas.
  • Críticos destacaram incoerências com listas nacionais fechadas e riscos para a estabilidade no sistema partidário jovem.
  • Apoiantes como Partit Socialdemòcrata defenderam debate para melhorar proporcionalidade e participação jovem.

O Consell General de Andorra rejeitou na quinta-feira a proposta da Concòrdia para introduzir listas totalmente abertas nas eleições paroquiais, com os Demòcrates e os Ciutadans Compromesos a votarem contra o avanço na fase de consideração inicial. O Partit Socialdemòcrata e o Andorra Endavant apoiaram o debate adicional apesar de discordâncias substanciais.

Ciutadans Compromesos, liderado por Carles Naudi, encabeçou a oposição, citando personagens fictícios espanhóis como Rodolfo Chikilicuatre — o ato cómico da Eurovisão de 2008 escolhido por voto popular — e o detetive vulgar Torrente para sublinhar os perigos da popularidade sobre as políticas. Advertiu que influencers poderiam ganhar assentos, um Torrente poderia tornar-se chefe de governo ou o TikToker mais extravagante servir como Síndic General. Em paróquias como Canillo e La Massana, disse, bastariam quatro ou cinco votos para nomear candidatos, enquanto 100 votos poderiam eleger um conselheiro geral em campos concorridos, contornando o limiar de 15%. Naudi salientou inconsistências ideológicas na substituição de vagas de listas de uma só pessoa e alertou para uma fragmentação incessante que levaria a um «caos constante» e eleições intermináveis que erodem a estabilidade. O seu grupo votou contra.

O ministro das Relações Institucionais, Educação e Universidades, Ladislau Baró, elogiou o trabalho técnico do projeto de lei, mas destacou inconsistências, como listas paroquiais totalmente abertas associadas a uma lista nacional fechada, o que, disse, minava a coerência geral e os objetivos de empoderamento dos eleitores. No sistema partidário em desenvolvimento de Andorra, argumentou, poderia estimular uma fragmentação excessiva, representantes com poucos votos e perturbar o equilíbrio entre o bipartidarismo territorial e a proporcionalidade nacional — sem provas de ligação a uma maior participação. O líder dos Demòcrates, Jordi Jordana, classificou-o como incoerente, priorizando o personalismo sobre projetos, arriscando a estabilidade parlamentar antes das eleições e considerando as candidaturas de uma só pessoa antidemocráticas.

O conselheiro da Concòrdia Pol Bartolomé enquadrou o projeto de lei como uma base flexível para enfrentar o desinteresse dos eleitores, especialmente a baixa participação dos jovens entre os 18 e os 25 anos, e a fraca proporcionalidade de Andorra — pior do que todas exceto 13 dos 127 países analisados. Criticou o sistema atual parcialmente aberto como controlado pelos partidos, limitando a escolha direta, e invocou a visão de Jürgen Habermas de uma democracia consensual que enfatiza o debate e o acordo. Reconhecendo que mudanças eleitorais sozinhas não acabam com a abstenção, Bartolomé chamou-lhe um «choque» para reconectar cidadãos e representantes, propondo uma comissão para consultar atores sociais antes das próximas eleições.

Os partidos da oposição ofereceram apoio moderado à discussão. A social-democrata Susana Vela notou riscos de personalismo, influência mediática e lobbies, mas apoiou o avanço para aumentar a proporcionalidade e atualizar a lei de 2022. A de Andorra Endavant, Carine Montaner, opôs-se ao conteúdo — receando um país «ingovernável» — mas votou a favor para reiniciar conversas sobre regras eleitorais, incluindo mais referendos.

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