Bartumeu critica secretismo do Pacto de Estado sobre acordo com UE e defende inclusão mais ampla
Antigo líder andorrano Jaume Bartumeu acusa o Pacto de Estado de gerir secretamente as negociações de associação com a UE, apelando à participação de grupos económicos e sociais.
Pontos-chave
- Bartumeu critica secretismo, tecnicidade e 'sessões paroquiais' por erosão da confiança pública no pacto com a UE.
- Propõe alargar pacto a CEA, Câmara de Comércio, sindicatos com voto pleno, citando modelo de San Marino.
- Governo afirma atualizações regulares; USdA nota má comunicação mas oferece apoio.
- Parlamento Europeu aprova relatório intermédio 552-24, aproximando-se de assinaturas pós-Páscoa.
O antigo chefe do Governo andorrano Jaume Bartumeu descreveu a comunicação do Pacto de Estado sobre o acordo de associação com a UE como um fracasso, marcado por secretismo, excessiva tecnicidade e sessões paroquiais promocionais que danificaram a confiança pública.
Numa conferência de imprensa na terça-feira na sede da Socialdemocràcia i Progrés (SDP), com o presidente do partido Josep Roig, Bartumeu defendeu a ampliação do pacto para incluir voz e voto plenos para atores económicos e sociais, como a federação patronal CEA, a associação de empresas familiares EFA, a Câmara de Comércio, o sindicato agrário USdA e os sindicatos do setor público. Estes grupos receberam apenas atualizações parciais através de canais subsidiários, notou. Bartumeu propôs isto pela primeira vez na reunião do pacto de 4 de fevereiro, onde os membros acordaram rever a questão antes da sessão de 25 de fevereiro, sem encontrar oposição.
Defendeu seguir o exemplo de San Marino, onde o ministro dos Negócios Estrangeiros Luca Beccari dirige uma comissão mista — criada nove meses antes do fim das negociações em março de 2023 — que inclui representantes políticos, económicos e sociais, grandes sindicatos e parlamentares sem voto. San Marino também editou panfletos informativos para residentes, estudantes, trabalhadores e empresas, detalhando os efeitos quotidianos do acordo, positivos e negativos.
Bartumeu atribuiu dois anos de fricção pública, incluindo disputas sobre o estatuto jurídico misto do acordo, a uma má outreach. Citou uma sessão temática para cidadãos não utilizada e erros como a suspensão das defesas públicas do caráter misto após a carta do Presidente francês Emmanuel Macron, só para o Secretário de Estado Landry Riba contradizer publicamente essa pausa, criando um «espetáculo lamentável» que minou a credibilidade.
Na quarta-feira, o porta-voz do Governo Guillem Casal contrapôs que o Governo realizou reuniões direcionadas e específicas com estes grupos, fornecendo atualizações regulares sobre as negociações. Vários expressaram apoio, disse. Embora não estejam formalmente no pacto, Casal indicou abertura para adicionar vozes ou reforçar a comunicação se necessário, sem pausar os esforços em curso. No entanto, o secretário-geral da USdA, Gabriel Ubach, disse aos jornalistas que a comunicação com o sindicato «não tem sido a melhor» e criticou a falta inicial de inclusão, estendendo a mão se a proposta avançar.
Em Bruxelas, o Parlamento Europeu aprovou na quarta-feira um relatório intermédio sobre o acordo Andorra-San Marino com forte apoio — 552 votos a favor, 24 contra e 75 abstenções —, após endosso pela Comissão de Negócios Estrangeiros. A relatora Zeljana Zovko destacou-o como o pacto mais amplo da UE com países terceiros, abrangendo uma cooperação extensa para além do mercado único, respeitando as especificidades dos pequenos Estados. O relatório instou a retomar as negociações com o Mónaco sobre o mesmo texto. Bruxelas está perto de uma posição conjunta que afirma a natureza mista, podendo levar a uma resolução do Conselho antes da Páscoa e a assinaturas pelos líderes de Andorra e San Marino pouco depois — um processo que Andorra lançou em 2010.
Bartumeu ligou o seu apelo à abertura aos recentes sondagens ARI que mostram oposição maioritária mas indecisos significativos, insistindo que explicações claras dos benefícios que superam os riscos podem mudar opiniões. Enfatizou que qualquer referendo sobre assuntos do Conselho Geral, como a ratificação, é constitucionalmente apenas consultivo, tornando os resultados politicamente — e não legalmente — vinculativos.
Fontes originais
Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao:
- Diari d'Andorra•
L’Eurocambra dona una empenta a l’acord per a la seva signatura
- Altaveu•
Porta oberta a incorporar patronals i sindicats al pacte d'Estat per l'acord d'associació
- El Periòdic•
El Govern defensa el treball amb agents econòmics i socials dins el Pacte d’Estat i no descarta “incorporar més veus”
- Diari d'Andorra•
Bartumeu vol que patronal i sindicat entrin al Pacte d’Estat per Europa
- Bon Dia•
SDP vol empreses, patronal i sindicats al pacte d'Estat
- El Periòdic•
Bartumeu admet que el Pacte d’Estat “ha fracassat” i reclama obrir el debat de l’Acord amb la UE a la ciutadania
- Altaveu•
SDP proposa incorporar al pacte d'Estat de la UE patronals i sindicats per millorar la comunicació
- Diari d'Andorra•
Bartumeu proposa ampliar el pacte d'estat per l'acord amb la UE als actors econòmics del país