Proprietários de Ordino apresentam recurso coletivo contra revisão excecional do plano de ordenamento do concelho
Cerca de 50 proprietários apresentaram um recurso administrativo de 12 páginas, alegando que a revisão excecional da CTU carecia de justificação, violou procedimentos e.
Pontos-chave
- 50 proprietários apresentaram recurso coletivo de 12 páginas com 47 assinaturas à CTU.
- Reclamação formal: revisão processada sem relatórios técnicos exigidos e viola LOGTU/procedimento administrativo.
- Reclamação substantiva: reclassificação e novas regras reduzem capacidade de construção e diminuem direitos dos proprietários.
- Medidas contestadas: proibição de construção em lotes <2500 m² longe dos núcleos e designações «verdes privados»; freguesia defende limites como gestão de crescimento.
Cerca de cinquenta proprietários em Ordino apresentaram um recurso administrativo coletivo à Comissão Técnica de Urbanismo da freguesia (CTU), contestando o Plano de Ordenamento e Urbanismo da Freguesia (POUP) após a recente aprovação pela CTU de uma revisão excecional. O recurso de 12 páginas, elaborado com assessores jurídicos e apresentado após uma grande reunião, conta com 47 assinaturas de particulares e empresas; alguns proprietários que já haviam apresentado recursos individuais juntaram-se à ação coletiva ou optaram por não o fazer.
A queixa divide-se em irregularidades formais e substantivas. Formalmente, os recorrentes argumentam que a revisão excecional é injustificada, insuficientemente motivada e foi processada em violação da Lei Geral do Ordenamento do Território e Urbanismo (LOGTU) e do procedimento administrativo padrão. Afirmam que a CTU aprovou a revisão sem os relatórios técnicos objetivos ou estudos de capacidade de carga necessários para provar uma necessidade de interesse público para um procedimento excecional, e que as alterações deveriam ter sido tratadas através de uma revisão ordinária.
Os recorrentes sustentam que a revisão altera ou suspende licenças e condições urbanísticas de forma a violar expectativas legítimas e o princípio da segurança jurídica. Argumentam que as medidas criam incerteza jurídica, contrariam as proteções contra a criação arbitrária de regras e violam a não retroatividade de normas restritivas.
No plano substantivo, o grupo afirma que a revisão lesa os direitos de propriedade dos proprietários. Alegam que parcelas anteriormente classificadas como solo urbano consolidado foram reclassificadas sem justificação, a capacidade global de construção foi reduzida e os proprietários que já haviam capitalizado direitos de construção veem agora esses direitos diminuídos. O recurso afirma ainda que a freguesia interpreta erradamente a LOGTU, ignora garantias estatutárias de benefícios de desenvolvimento urbano e viola acordos contidos em planos parciais aprovados.
Duas disposições são destacadas no recurso. Uma proíbe a construção em lotes situados longe dos núcleos urbanos se tiverem menos de 2500 m²; os recorrentes dizem que isto tornará muitos lotes pequenos efetivamente não desenvolvíveis e reduzirá substancialmente o seu valor de mercado. A outra cria designações de «verdes privados» (verds privats) que mantêm a propriedade privada mas proíbem a construção. Segundo o recurso, estas medidas impõem condições impossíveis de cumprir e equivalem a uma conversão de facto de solo anteriormente desenvolvível em território não desenvolvível — um passo que os recorrentes dizem ser lawful apenas onde existe uma condição de risco natural reconhecida.
O grupo descreve a revisão como arbitrária, discriminatória e contrária aos direitos de propriedade, à proibição de arbitrariedade e à não retroatividade de regras restritivas. Se a CTU rejeitar o recurso administrativo, os recorrentes dizem que elevarão o caso à Batllia (tribunal judicial).
Josep Maria Riba, porta-voz do coletivo, disse que a reunião esclareceu dúvidas e que o objetivo principal do recurso é garantir que os proprietários sejam ouvidos. Notou que os signatários incluem tanto pequenos como grandes proprietários e que o descontentamento permanece evidente, embora reconheça que nem todos os proprietários se opõem à revisão.
A freguesia defende as alterações como ferramentas para gerir e limitar o crescimento, concentrar o desenvolvimento à volta dos núcleos urbanos e preservar os prados do vale e espaços verdes. O sub-cônsul Eduard Betriu disse que o POUP «mantém os direitos dos proprietários» e «em caso nenhum» cria solo não urbanizável exceto onde se aplicam riscos naturais, conforme definido por lei. Betriu chamou também legítima a organização dos proprietários nos recursos e disse que a freguesia responderá através da CTU e, se necessário, acatará decisões judiciais.
O processo de revisão do POUP começou no final do mandato municipal anterior, em dezembro de 2023. O primeiro projeto recebeu 220 objeções durante a exposição pública; um segundo projeto aprovado em novembro de 2024 recebeu 147 objeções. A recente aprovação definitiva pela CTU desencadeou o prazo de um mês em que o recurso coletivo foi apresentado; a CTU deve agora decidir sobre o recurso coletivo e quaisquer recursos individuais pendentes antes de quaisquer passos legais adicionais.
Fontes originais
Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao:
- ARA•
Betriu defensa la legitimitat dels recursos contra el POUP
- Altaveu•
El comú respon als terratinents d'Ordino: "En cap cas hi ha cap sòl que no sigui urbanitzable"
- Diari d'Andorra•
El comú d'Ordino defensa que el POUP manté els drets dels propietaris
- Diari d'Andorra•
Els propietaris mantenen el pols al comú i porten el POUP a la CTU
- El Periòdic•
Els propietaris d’Ordino mantenen el recurs contra el POUP i avisen que “el descontent continua sent evident”
- Diari d'Andorra•
Una cinquantena de propietaris de terres d'Ordino presenten recurs contra el POUP
- Altaveu•
Terratinents d'Ordino clamen per la nul·litat del pla urbanístic: va contra el dret a la propietat