Conselho Comarcal Catalão Falha na Notificação de Suspeitas de Tráfico Sexual
O Consell Comarcal de l'Alt Urgell ignorou obrigações legais ao não informar a polícia sobre suspeitas de tráfico de seres humanos para exploração sexual.
Pontos-chave
- Plano de migração do CCAU nota explicitamente casos crescentes de tráfico sexual no Alt Urgell, mas sem participações à polícia.
- Especialistas citam protocolo de 2013 que exige notificações imediatas à polícia ou tribunais em caso de suspeita.
- Polícia Nacional confirma zero encaminhamentos; Mossos d'Esquadra destacam ligações ao crime organizado.
- Plano encomendado por 11 000 euros, aprovado por unanimidade sem debate sobre preocupações de tráfico.
O Consell Comarcal de l'Alt Urgell (CCAU) evitou notificar as autoridades policiais sobre casos suspeitos de tráfico de seres humanos para exploração sexual, apesar das obrigações legais e protocolos oficiais que exigem tal ação.
A controvérsia centra-se no Plano de Migração Comarcal, aprovado por unanimidade pelo plenário do CCAU em dezembro e encomendado à consultora La Perifèrica por 11 000 euros. O documento afirma explicitamente que o Alt Urgell regista «situações de trabalho sexual em condições de alta vulnerabilidade e casos crescentes de tráfico para fins de exploração sexual». Baseia-se numa entrevista com uma entidade externa especializada no terreno, que partilhou preocupações sobre o aumento da deteção de indicadores de risco nos últimos anos.
Em resposta a perguntas do *BonDia*, o CCAU insistiu que a expressão «casos crescentes» reflete informação qualitativa, não um aumento quantificável ou cronologia específica. Os responsáveis esclareceram que não foram discutidos casos concretos e que as matérias estão a ser tratadas pela entidade externa através de procedimentos estabelecidos. No entanto, não confirmaram qualquer notificação às autoridades policiais.
Fontes da Polícia Nacional confirmaram que não foram encaminhados casos desse tipo. Durante a apresentação do plano, agentes dos Mossos d'Esquadra intervieram para sublinhar que se trata de crimes graves ligados a grupos organizados e máfias.
Especialistas jurídicos citaram o Protocolo de 2013 da Catalunha para a Proteção de Vítimas de Tráfico de Seres Humanos, que obriga a notificar a polícia estatal ou regional, o tribunal de turno ou o Ministério Público em caso de suspeita desses crimes. Rejeitaram a alegação do CCAU de falta de competência, notando que as entidades locais devem encaminhar imediatamente os casos para a polícia especializada, em vez de os reter para assistência social ou emitir as suas próprias avaliações.
O plano também destaca outros problemas, como racismo nas escolas, exploração laboral entre imigrantes e dificuldades de registo, mas não provocou perguntas ou debate durante a sessão plenária. Permanece por esclarecer se os conselheiros analisaram o conteúdo previamente ou não viram motivo de preocupação.
Fontes originais
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