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Politica·

Conselho Geral aprova tramitação de proposta governamental para reformar a 'regra de ouro' e define objetivo gradual de dívida de 25%

O Conselho Geral aprovou a tramitação de um projeto de lei apoiado pelo governo para alterar a lei de estabilidade fiscal de 2014 e remeteu-o para comissão.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraAltaveuEl Periòdic

Pontos-chave

  • O Conselho Geral aprovou a tramitação de um projeto de lei apoiado pelo governo para alterar a lei de estabilidade fiscal de 2014 e remeteu-o para comissão.

O Conselho Geral votou a favor da apreciação de um projeto de lei apoiado pelo governo para alterar a Lei de 2014 sobre sustentabilidade financeira e estabilidade orçamental e fiscal — a chamada “regra de ouro” — e remeteu a proposta para comissão para trabalhos detalhados. O texto maioritário, apresentado por Demòcrates e Ciutadans Compromesos, foi aprovado para tramitação com 20 votos a favor e oito abstenções; uma proposta alternativa de Concòrdia foi rejeitada em plenário (11 a favor, 17 contra). Concòrdia disse que continua aberto a colaborar em melhorias.

O projeto de reforma altera vários artigos centrais da lei de estabilidade. O artigo 12 permitiria derrapagens temporárias no limite estatutário de dívida quando qualquer novo empréstimo for usado exclusivamente para amortizar dívida anterior e estabelece uma redução progressiva da taxa de dívida da lei — atualmente fixada em torno de 40% do PIB — para um objetivo de 25% nos próximos anos (alguns relatórios indicam um horizonte de longo prazo no projeto). O governo nota que a dívida pública real está abaixo do limite legal, em cerca de 30,6% do PIB.

O artigo 15 introduz flexibilidade condicional nos objetivos de défice, permitindo um défice até 1% do PIB em caso de recessão técnica, desde que o tesouro tenha acumulado previamente superávits de caixa. O artigo 16, há muito criticado por ser difícil de aplicar, é reformulado para garantir o cumprimento dos objetivos da lei sem depender apenas de previsões macroeconómicas e para assegurar um nível mínimo de investimento real. O artigo 19 esclarece o cálculo dos 0,5% do orçamento destinados à conta de compensação e exclui certas variações em ativos e passivos financeiros desse teste. O artigo 20 elimina um limite numérico no peso da tributação direta e substitui-o por um requisito de transparência: qualquer proposta com implicações fiscais deve ser acompanhada de um relatório de impacto fiscal para que o Conselho tenha os elementos estatísticos e de impacto necessários antes de debater medidas fiscais.

A proposta alternativa de Concòrdia limitar-se-ia a alterações nos artigos 16 e 20 e adicionaria uma disposição transitória para implementação gradual. Procurava também uma reforma estrutural da regra de despesa, substituindo o atual limite ligado ao crescimento na despesa corrente por um critério de proporcionalidade entre despesa corrente e de capital, e argumentava que um limite fixo de 40% na tributação direta é difícil de cumprir. No debate, Concòrdia alertou que o aumento da despesa corrente está a erodir a capacidade de investimento e defendeu medidas para proteger as gerações futuras de despesa insustentável.

Os Social-Democratas (PS) expressaram reservas firmes. O vice-presidente Pere Baró alertou que um corte rígido e progressivo do limite de dívida para 25% poderia amarrar as mãos dos futuros governos, limitando a sua capacidade de investir ou responder a eventos inesperados, e reiterou a visão de longa data do seu partido de que a lei de 2014 é difícil de aplicar. Baró criticou também os recentes aumentos na receita de impostos diretos como vindos à custa do setor produtivo e defendeu uma reforma fiscal que proteja os rendimentos do trabalho sem sufocar as empresas.

Os deputados da maioria defenderam a reforma como realista e coerente com a disciplina fiscal. Carles Naudi (Ciutadans Compromesos) disse que o quadro de 2014 produziu bons resultados ao longo de onze anos e que a dívida pública caiu marcadamente desde a crise da COVID; argumentou que os novos objetivos podem ser atingidos sem aumento de impostos através de uma gestão rigorosa. Jordi Jordana (Demòcrates) disse que o objetivo é tornar o cumprimento legal compatível com as necessidades administrativas atuais e descreveu a redução proposta da dívida como alcançável. Maria Àngels Aché (Concòrdia) notou o impulso de longa data do seu partido para atualizar o quadro de sustentabilidade e recordou tentativas anteriores de introduzir mudanças através de emendas aos orçamentos de 2024 e 2025.

O ministro das Finanças, Ramon Lladós, disse à câmara que a lei existente foi eficaz mas requer ajustes para se adequar aos parâmetros económicos atuais, e alertou que tramitar dois textos de reforma paralelos poderia complicar e prolongar o procedimento parlamentar. Andorra Endavant disse que apoiaria a tramitação de ambas as iniciativas, expressando uma clara preferência pelo plano da maioria para apertar o limite de dívida; a líder do partido, Carine Montaner, reiterou o compromisso do seu grupo com a contenção fiscal e uma baixa carga fiscal.

Com o texto maioritário escolhido para tramitação parlamentar, o projeto entra agora no período de emendas. Os deputados podem apresentar alterações antes de a proposta ser examinada em comissão e devolvida à câmara para mais debate e voto final.

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