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Politica·

Novo Copríncipe Episcopal de Andorra apela a papel ativo nos esforços globais de paz

Josep-Lluís Serrano Pentinat dirige-se a quase 400 convidados na sua primeira receção de Natal, enfatizando multilateralismo, cuidado com os vulneráveis e proteção ambiental, ao mesmo tempo que destaca marcos de 2025.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraBon DiaAltaveuEl Periòdic

Pontos-chave

  • 59 conflitos armados em curso no mundo, o maior número desde a II Guerra Mundial, segundo Serrano.
  • Elogiou a diplomacia de Andorra; apela ao multilateralismo no clima, migração, cibersegurança.
  • Prioriza grupos vulneráveis, alívio da pobreza e 'ecologia integral' para montanhas, rios.
  • Liga mensagem ao Jubileu de 2025 'a esperança não desilude'; nota aniversários chave.

Josep-Lluís Serrano Pentinat, Copríncipe Episcopal de Andorra, pediu ao Principado que assuma um papel ativo nos esforços globais de paz durante a sua primeira receção de Natal na quarta-feira no Palácio Episcopal em La Seu d'Urgell. Destacou 59 conflitos armados em curso — o maior número desde a Segunda Guerra Mundial — em meio a crescentes incertezas e tragédias.

O evento reuniu quase 400 convidados, uma das maiores multidões dos últimos anos, com uma configuração modificada que colocou a área de discursos perto da entrada. Atuações do coro de adultos Catherine Metayer foram seguidas de cantos de Natal, um brinde e o hino andorrano. Entre os presentes estavam o Chefe do Governo Xavier Espot, o Síndico Geral Carles Ensenyat, a Sub-síndica Sandra Codina, o Presidente do Conselho Superior de Justiça Josep Maria Rossell, cônsules paroquiais, líderes parlamentares e figuras da política, negócios e sociedade civil. O antecessor de Serrano, Joan-Enric Vives, que serviu mais de 20 anos, esteve presente e saudou os convidados de forma descontraída.

Serrano abriu com uma saudação aos presentes no palácio, descrevendo-o como um espaço de serviço nacional, identidade e coesão. Agradeceu aos andorranos a receção calorosa durante as suas visitas às sete paróquias, de Canillo a Escaldes-Engordany, que lhe deram uma visão direta das preocupações locais. Desde que assumiu o cargo em 31 de maio durante a Diada de la Mare de Déu de Canòlich, comprometeu-se a cumprir os deveres constitucionais com respeito institucional, ao lado do Copríncipe francês Emmanuel Macron, para promover o bem comum e a soberania — um papel complementar ao seu bispado.

Na política externa, Serrano elogiou o progresso diplomático de Andorra através de relações com Estados e atores internacionais, reforçado pela diplomacia pública que promove a sua cultura, valores e instituições. Pediu continuidade no avanço como um polo de prosperidade e paz que inclui todos, enfatizando o multilateralismo e a colaboração entre Estados contra desafios comuns como as alterações climáticas, migrações forçadas e cibersegurança, intensificados pela IA e ferramentas em linha. Ecoando o Papa Leão XIV, defendeu uma "paz desarmada e sem armas" enraizada na confiança, empatia e esperança para resolver disputas e promover a justiça, com Andorra a contribuir através da sua voz, exemplo e apoio material.

Internamente, priorizou o cuidado com os vulneráveis — aqueles em risco de pobreza ou social — como essencial a qualquer sociedade justa, juntamente com a proteção das montanhas, rios e vida selvagem como herança divina através da ecologia integral. Ligando à tema do Jubileu de 2025 "a esperança não desilude", enquadrou a esperança como chave para o futuro de Andorra através da justiça, paz e bem-estar, especialmente para os fracos. Assinalou marcos de 2025: o 50.º aniversário da dedicação do santuário de Meritxell e da fundação da AINA, oportunidades para reafirmar a devoção a Nossa Senhora de Meritxell e o apoio à juventude.

As reações políticas variaram. O líder da Concòrdia, Cerni Escalé, considerou-a neutra — a primeira em anos sem referências diretas à UE — e pediu flexibilidade em questões como a despenalização do aborto, onde as posições da Igreja diferem das visões andorranas contemporâneas. A social-democrata Susanna Vela acolheu o multilateralismo, mas lamentou a falta de ênfase em assuntos locais como habitação e direitos. Xavier Espot fez uma avaliação muito positiva, alinhando ecologia e proteções aos vulneráveis com as prioridades do governo e notando as perspetivas paroquiais de Serrano. O democrata Jordi Jordana considerou-a uma mensagem de Natal adequada de boa vontade global. Marc Monteagudo, do Andorra Endavant, elogiou o foco na paz e solidariedade, apelando a um abrandamento nos debates sobre o aborto.

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