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Politica·

Documentos desclassificados confirmam refúgio em Andorra de golpista do 23-F em 1981

Documentos de serviços secretos espanhóis revelam que o capitão Gil Sánchez-Valiente, o 'homem da maleta' no golpe de 23-F, se escondeu em Andorra após fugir.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraAltaveu

Pontos-chave

  • Sánchez-Valiente escondeu-se em Barcelona um mês antes de traição o forçar a fugir para Andorra.
  • Fez travessias repetidas da fronteira espanhola a partir de Andorra enquanto fugia à detenção em 1981.
  • Exilado na Alemanha, Argentina, México, Itália e EUA; regressou a Espanha em 1987 para pena por deserção.
  • Documentos desclassificados coincidem com morte de Tejero; sem provas de envolvimento direto no golpe.

Documentos de serviços secretos espanhóis desclassificados na quarta-feira confirmam que o capitão da Guarda Civil Gil Sánchez-Valiente, identificado como o "homem da maleta" durante a tentativa falhada de golpe de 23-F, encontrou refúgio breve em Andorra enquanto fugia à captura em 1981.

Os documentos, desclassificados após 45 anos e anteriormente detidos pelo CNI — sucessor do serviço de informações Cesid —, delineiam o percurso de Sánchez-Valiente após o colapso do golpe a 23 de fevereiro. Os serviços secretos detetaram-no perto do Congresso em Madrid na manhã de 24 de fevereiro. Depois escondeu-se em Barcelona durante cerca de um mês, onde um colega oficial o traiu ao apresentar um relatório de informante depois de ele ter pedido ajuda. Isso forçou-o a atravessar para Andorra.

A partir daí, Sánchez-Valiente fez entradas e saídas repetidas em território espanhol para evitar a detenção, segundo o seu próprio depoimento dado em Roma a 9 de junho de 1981. Afirmou ter conhecimento prévio do plano, mas chegou demasiado tarde ao Congresso para liderar 250 guardas de uma unidade de elite de El Escorial, seguindo em vez disso os comandantes no local. Duvidando das suas hipóteses, tinha retirado as suas poupanças e garantido bilhetes de voo para Barcelona com antecedência. Negou sempre ter transportado documentos comprometedoros na maleta ou na mala avistada por um colega golpista, ou ter levado quaisquer para Londres.

O seu exílio prosseguiu para a Alemanha, depois Argentina — onde contactou o líder do golpe, o tenente-coronel Antonio Tejero, para repudiar um assalto relacionado ao Banco Central de Barcelona nesse ano —, seguido do México, Itália e, por fim, os Estados Unidos. Sustentou-se com poupanças, proveitos da venda de um imóvel e uma herança.

Sánchez-Valiente regressou a Espanha em 1987, recebendo uma pena de dois anos de prisão por deserção, mas sem condenação ligada ao golpe em si, pois os procuradores não dispunham de provas de envolvimento direto.

A desclassificação, coincidente com a morte súbita de Tejero na quarta-feira, destaca o papel fugaz de Andorra nos movimentos dos golpistas após o golpe.

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