Especialistas Duvidam da Viabilidade da Proibição de Redes Sociais para Menores de 16 em Andorra
Especialistas em proteção de dados e Andorra Telecom destacam desafios técnicos como circumvenção por VPN, riscos de privacidade e necessidade de coordenação internacional.
Pontos-chave
- Bloqueios de IP ao nível das telecomunicações vulneráveis a VPNs e contornos por Wi-Fi.
- Riscos de privacidade no acesso a dados de menores; especialistas defendem controlos parentais.
- Andorra Telecom oferece filtros voluntários Internet Protegit para conteúdo prejudicial.
- Escolas apoiam mas enfatizam educação digital além das restrições.
Especialistas em proteção de dados e a Andorra Telecom levantaram dúvidas significativas sobre a viabilidade do plano do governo para proibir o acesso a redes sociais para menores de 16 anos, destacando obstáculos técnicos, riscos de privacidade e a necessidade de uma coordenação internacional mais ampla.
A proposta, alinhada com esforços globais para limitar a exposição online de menores, enfrenta desafios na aplicação. José Luis Torrecilla, da consultora Xpert, sugeriu bloqueios baseados em IP ao nível das telecomunicações, semelhantes às restrições em ferramentas de IA como o Grok na plataforma X de Elon Musk. Estes poderiam impedir o acesso a sites específicos se um dispositivo estiver associado a alguém menor de 16 anos. No entanto, VPNs que mascaram o tráfego como originário fora de Andorra contorná-los-iam facilmente. «Haverá sempre uma forma de contornar, dependendo do engenho dos jovens», disse Torrecilla, enfatizando as proteções constitucionais de privacidade e a primazia da supervisão parental sobre a intervenção estatal.
Jaume Díez, da win2win, defendeu filtros de conteúdo e controlos parentais como uma opção «mais eficaz, razoável e menos intrusiva». Bloqueios ao nível da infraestrutura exigiriam acesso a dados pessoais de menores, o que descreveu como precário dada a sua vulnerabilidade e o elevado valor de mercado dessa informação para as empresas tecnológicas. «Vai ser muito difícil, e haverá sempre uma forma de contornar a restrição», disse Díez. Ambos os especialistas notaram o rápido avanço da IA como fator complicador, defendendo a educação digital para fomentar o pensamento crítico em vez de depender apenas de controlos tecnológicos. Díez acrescentou que as políticas futuras devem complementar a tecnologia, pois «controlá-la vai ser complicado».
A Andorra Telecom apoia a iniciativa em princípio, mas sublinhou as dificuldades de implementação. O diretor-geral Jordi Nadal observou: «É ótimo dizer 'isto prejudica a minha juventude, logo proíbo', mas depois vem a parte difícil: como é que fazemos?» Apontou a necessidade de envolvimento das plataformas de redes sociais, fabricantes de telemóveis, operadores e utilizadores, possivelmente incluindo dados biométricos via carteira digital. Mesmo as eSIM existentes para menores são insuficientes, pois o acesso Wi-Fi contorna os controlos da rede móvel. Nadal sublinhou a dependência de enquadramentos da UE para pressionar multinacionais, notando que Andorra deve preparar-se para se alinhar. A empresa já oferece o serviço voluntário Internet Protegit, lançado em setembro de 2024, que filtra conteúdo prejudicial como pornografia, violência explícita, promoção de drogas, hacking, encontros adultos, jogos de azar, criptomoedas e cyberbullying. Cobre 640 agregados familiares e 1653 linhas móveis a 1 € cada para redes 3G, 4G, 5G ou domésticas. A Andorra Telecom descreveu-o como «uma camada extra de proteção» contra os riscos da internet ilimitada, com base em estudos regionais e um relatório da UNICEF Andorra sobre necessidades de educação digital.
As escolas apoiam a medida se reduzir vulnerabilidades. Juan Ignacio Pérez, diretor do Col·legi Mare Janer, acolheu-a para travar situações de risco, notando uma diminuição no mau uso grave das redes sociais principais mas uma mudança para plataformas emergentes. Enfatizou a formação no uso ético da tecnologia. O Col·legi Sant Ermengol vê-a como proteção essencial contra ameaças de rede, com orientação administrativa pública.
Fontes originais
Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao: