Ex-dirigentes da BPA alegam que aviso do FinCEN dos EUA sobre banco andorrano foi manipulado no julgamento da Odebrecht
Antigos executivos da Banca Privada d’Andorra testemunharam no julgamento da corrupção da Odebrecht no Panamá, alegando manipulação por trás de um aviso do Tesouro dos EUA.
Pontos-chave
- Executivos da BPA testemunharam remotamente da embaixada do Panamá em Madrid no 14.º dia do julgamento da Odebrecht no Panamá.
- Sem relação de cliente com a Odebrecht; subsidiária tratava serviços não bancários com verificações completas de conformidade.
- Aviso do FinCEN baseado em informação manipulada de interesses hispano-andorranos e casos falsos como Sinaloa e PDVSA.
- Tribunal estupefacto com inconsistências; BPA alertara problemas de conformidade em Andorra desde 2014.
Antigos executivos da Banca Privada d’Andorra (BPA) testemunharam como testemunhas no julgamento em curso da corrupção da Odebrecht no Panamá, revelando uma potencial manipulação por trás de um aviso financeiro ligado ao Tesouro dos EUA que visou o banco.
O testemunho ocorreu no 14.º dia do julgamento perante os tribunais panamianos, centrado em alegados subornos pagos pelo gigante da construção brasileiro Odebrecht a políticos e funcionários locais. As declarações foram dadas remotamente a partir da embaixada do Panamá em Madrid, organizadas pelas autoridades judiciais panamianas.
Santiago de Rosselló, antigo número dois da BPA na banca privada, e outros ex-executivos responderam a perguntas da procuradora Ruth Morcillo e dos advogados de ambas as partes. Esclareceram que a BPA Serveis, subsidiária panamiana do banco, tratava de serviços não bancários como residências passivas e aquisições de empresas para clientes. Todas as atividades financeiras eram supervisionadas pelas equipas centrais de conformidade da BPA, com verificações completas realizadas. De Rosselló sublinhou que não ocorreu branqueamento de capitais.
A própria Odebrecht nunca foi cliente da BPA, nem no banco matriz nem na subsidiária. Fundos de entidades ligadas eram detidos separadamente e não constavam no balanço da Odebrecht.
Os procuradores pediram pormenores sobre um aviso do FinCEN — um consultivo da Financial Crimes Enforcement Network dos EUA — que contribuiu para a intervenção na BPA. De Rosselló descreveu-o como resultante de «manipulação» envolvendo informação enviesada ou falsa. Apontou interesses convergentes: autoridades espanholas em busca de dados de contas da família Pujol em meio a tensões pela independência catalã, e falhas andorranas na resposta a perguntas dos EUA sobre manuseamento de numerário e práticas financeiras.
O aviso citava quatro casos para justificar o escrutínio: ligações não resolvidas com o Sinaloa; o caso PDVSA envolvendo clientes venezuelanos, onde as autoridades andorranas já haviam levantado os congelamentos de contas; uma suposta máfia chinesa em Espanha que nunca usou dólares; e o caso Petrov, com interesses russos na costa catalã, onde os suspeitos evitavam moeda dos EUA desde 2007.
Os presentes na sala de audiências no Panamá ficaram estupefactos com estas inconsistências, que De Rosselló disse mostrarem que os EUA foram induzidos em erro. A BPA alertara o setor financeiro de Andorra desde 2014 sobre deficiências de conformidade, incluindo respostas vagas do Ministério dos Negócios Estrangeiros a preocupações americanas.
As revelações levaram procuradores e defensores a reavaliar o papel da BPA na investigação da Odebrecht.
Fontes originais
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