França pressiona UE a classificar acordo de associação com Andorra como 'misto'
Uma discussão indicativa da EFTA a 18 de novembro mostrou a maioria dos Estados-membros da UE inclinados a tratar o acordo de associação UE‑Andorra como um tratado misto, a.
Pontos-chave
- Discussão da EFTA a 18 de nov. incluiu votação não vinculativa inclinada para acordo misto (9 a favor, 3 contra, outros indecisos).
- França pressiona por decisão rápida; Paris argumenta que acordos com elementos comerciais e políticos caem em competências partilhadas.
- Classificação mista exige voto no PE, aprovação unânime do Conselho e ratificação por todos os Estados-membros segundo regras nacionais.
- Espanha apoia Andorra mas evita confronto direto; debate recorda disposições do tratado de Gibraltar pós‑Brexit.
Não há necessidade de continuar a especular: será preciso uma grande mudança para que o acordo de associação com a UE não seja classificado como misto. Após a posição oficial da França e uma carta contundente de Emmanuel Macron, a máquina da UE começou a mover-se numa direção vista como contrária aos interesses de Andorra.
Na reunião da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) a 18 de novembro, a presidência dinamarquesa do Conselho incluiu um documento intitulado «Discussão sobre a natureza jurídica; discussão sobre o projeto de declaração», que compreendia uma votação indicativa não vinculativa dos países sobre o acordo com Andorra. A votação inclinou-se claramente para um acordo misto.
Nove países indicaram apoio à opção mista; entre eles estavam França, Bélgica, Luxemburgo, Países Baixos, Chipre, Malta e Hungria. A opção não mista recebeu apoio de três Estados-membros: Espanha, Portugal e República Checa. Alemanha e Itália disseram não ter instruções e precisar de consultar os seus governos. Vários outros Estados não expressaram posição.
A França pressionou por uma decisão rápida e pediu aos representantes da UE e aos ministros dos Negócios Estrangeiros que resolvessem o assunto sem demora. Paris, juntamente com a Polónia e Itália em dossiers relacionados, argumenta que os acordos que combinam medidas comerciais com elementos políticos e de cooperação caem nas competências partilhadas e, por isso, devem ser tratados como mistos. Como acordo misto, a ratificação exigiria uma votação no Parlamento Europeu, aprovação unânime do Conselho e ratificação subsequente pelos Estados-membros de acordo com os seus requisitos constitucionais, o que pode incluir aprovações parlamentares nacionais e regionais e dá a cada membro um veto.
A Espanha expressou apoio a Andorra mas, segundo fontes, não pretende provocar um confronto direto com o Eliseu. O debate recorda a abordagem pós‑Brexit para Gibraltar, onde a relação Reino Unido‑UE foi negociada através de um tratado específico destinado a não ser classificado como misto para simplificar a ratificação e evitar um referendo local.
O ponto da agenda da reunião da EFTA relativo a Andorra dizia respeito a projetos de decisões do Conselho sobre a assinatura, aplicação provisória e conclusão do acordo de associação entre a UE e, respetivamente, o Principado de Andorra e a República de San Marino, e especificamente à discussão da natureza jurídica dos acordos e de um projeto de declaração.
A EFTA, criada em 1960 como uma estrutura alternativa para promover o livre comércio entre países europeus, compreende a Islândia, o Liechtenstein, a Noruega e a Suíça. Três dos seus membros participam no Espaço Económico Europeu (EEE); a Suíça mantém os seus próprios acordos bilaterais com a UE.
Fontes originais
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