Governo da Andorra Rejeita Proposta de Reforma Eleitoral por Medo de Instabilidade
O executivo alerta que o plano da Concordia para representação proporcional com listas abertas nas circunscrições paroquiais poderia fragmentar o Conselho Geral, empoderar independentes e minar a coerência das políticas nacionais num sistema com partidos fracos.
Pontos-chave
- Governo alerta que RP em listas abertas pode fragmentar Conselho Geral, favorecendo independentes sobre partidos.
- Proposta elimina assinaturas, ajusta paridade de género para escolha do eleitor nas sete comarcas.
- Reconhece compatibilidade constitucional mas considera mudanças «radicais» sem consenso.
- Defende sistema híbrido atual para equilibrar representação e governabilidade.
O governo da Andorra emitiu um parecer formal negativo a uma proposta de lei qualificada do grupo parlamentar Concordia para reformar o sistema eleitoral nas comarcas, alertando que a representação proporcional em listas abertas poderia levar a uma fragmentação excessiva no Conselho Geral e ameaçar a estabilidade política.
Publicado hoje no boletim do Conselho Geral, o parecer do executivo aborda a décima iniciativa legislativa de Concordia neste mandato, apresentada há quase um mês pelo líder Cerni Escalé. A proposta visa alterar a Lei Qualificada 44/2022 sobre eleições e referendos, substituindo o atual sistema de maioria simples em única volta por representação proporcional com candidaturas uninominais nas sete comarcas de círculos multimembro. Eliminará os requisitos de assinaturas para candidaturas, ajustará as regras de paridade de género para permitir escolhas individuais dos eleitores em vez de listas fechadas, e visa aumentar a participação, melhorar a representação e reduzir a abstenção.
O governo reconhece a compatibilidade constitucional da proposta — preservando as duas circunscrições, a paridade entre elas e os direitos iguais de todos os conselheiros — elogiando a análise rigorosa da Concordia e o seu valor para estimular o debate. Admite que o modelo poderia empoderar significativamente os eleitores nas decisões das comarcas, mas considera a abordagem de listas abertas «radical», pois combinar candidaturas uninominais com exigências multimembro incentiva a divisão de votos e a proliferação de candidatos, especialmente com a redução dos limiares de assinaturas.
No contexto da Andorra, com partidos pouco institucionalizados, os responsáveis argumentam que isto poderia favorecer independentes ou personalidades locais em detrimento de grupos estruturados, borrando linhas partidárias, enfraquecendo debates sobre políticas nacionais e estendendo a fragmentação à circunscrição nacional. Os conselheiros eleitos poderiam garantir lugares com percentagens mínimas de votos, arriscando um parlamento de figuras frouxamente alinhadas e desligadas de projetos políticos mais amplos. O parecer destaca a escassa evidência académica que liga listas abertas a uma maior participação e nota a curiosa omissão de opções semelhantes de preferência dos eleitores para a lista nacional, que poderiam ser implementadas sem esses efeitos colaterais.
Outras preocupações incluem a falta de substitutos para conselheiros territoriais que entrem no executivo, podendo colapsar maiorias parlamentares e violar a igualdade constitucional entre representantes territoriais e nacionais — uma falha «politicamente inadequada». Embora a baixa participação erode a democracia, o governo sublinha que a instabilidade da fragmentação a prejudica ainda mais, podendo fomentar confrontos estéreis em vez de maiorias estáveis, apesar das possibilidades de coligações consensuais.
Defendendo o atual sistema híbrido, reforçado pelas reformas de 2022, o executivo insiste que ele equilibra representação e governabilidade. Considera as mudanças da Concordia demasiado abrangentes sem um consenso técnico, político e institucional prévio amplo, mas acolhe o debate rigoroso contínuo como base para eventuais reformas futuras.
Fontes originais
Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao:
- Diari d'Andorra•
El Govern veu risc de fragmentació en la reforma electoral de Concòrdia
- El Periòdic•
L’estabilitat com a argument per ajornar la reforma electoral
- Bon Dia•
El Govern rebutja els canvis electorals pel risc de fragmentació
- ARA•
Govern allunya les llistes obertes que proposa Concòrdia
- El Periòdic•
El Govern alerta que la reforma electoral podria fragmentar el Consell General i dificultar la formació de majories estables
- Altaveu•
Govern esgrimeix el risc de "fragmentació" del Consell per refusar canvis al sistema electoral
- Diari d'Andorra•
El Govern rebutja la proposta de llistes obertes a les territorials per risc de fragmentació