Governo andorrano confirma correção da ONU de 2019 sobre alegação falsa de juiz em relação a aborto
Governo andorrano verificou correção à ONU em 2019 sobre alegação falsa de juiz de que a saúde pública cobre custos de aborto no estrangeiro.
Pontos-chave
- Governo corrigiu ONU em 2019 após juiz alegar falsamente que CASS reembolsa abortos no estrangeiro.
- Embaixador esclareceu que mulheres viajam para o estrangeiro para abortos devido à ilegalidade e recursos limitados.
- Oposição critica declarações como equiparação de abortos a outros tratamentos; ONU urge despenalização.
- Progressos no projeto de despenalização via negociações com Santa Sé, sem planos de reembolsos.
**Governo andorrano confirma correção da ONU de 2019 sobre alegação falsa de juiz em relação a reembolso de aborto**
O Governo andorrano confirmou que emitiu uma correção às Nações Unidas em 2019, na sequência de declarações imprecisas de um juiz do Tribunal de Corts na altura, agora a atuar no Tribunal dos Direitos Humanos. O juiz afirmara publicamente que o serviço de saúde pública CASS cobria os custos para mulheres que recorriam a abortos no estrangeiro. A ministra dos Negócios Estrangeiros, Imma Tor, confirmou a ação durante a sessão de perguntas de quinta-feira no Conselho Geral.
O debate, provocado pela líder do grupo Social Democrata, Susanna Vela, abordou também declarações recentes do embaixador de Andorra em Genebra, Ferran Costa. Falando ao Comité dos Direitos Humanos da ONU, que monitoriza o cumprimento do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, Costa referiu que as mulheres têm de viajar para o estrangeiro para abortos — ilegais em Andorra — tal como para outros tratamentos indisponíveis devido aos recursos médicos limitados do país.
Tor rejeitou alegações de comparação direta, descrevendo a intervenção de Costa como uma resposta direcionada para esclarecer as realidades institucionais e de saúde de Andorra. "Ocorreu num contexto muito específico, em resposta a um pedido preciso para melhor explicar a nossa situação; vê-lo como uma comparação é uma visão parcial e descontextualizada", afirmou. O objetivo, acrescentou, era contrariar o estigma indevido sobre mulheres que procuram cuidados no estrangeiro, sem minimizar a sensibilidade do aborto.
Vela rejeitou a explicação, chamando os comentários de Costa "no mínimo, totalmente infelizes" e insistindo na distinção: as mulheres viajam para o estrangeiro porque o procedimento é penalizado aqui, ao contrário de outras necessidades médicas. Destacou as repetidas exigências da ONU para a despenalização e recordou a visão anterior do comité de que tais viagens constituem uma violação.
O ministro das Relações Institucionais, Ladislau Baró, responsável pelas negociações com a Santa Sé, delineou progressos para um modelo regulatório de despenalização. O Governo espera finalizar o projeto antes do verão e apresentá-lo ao Conselho Geral, embora os prazos dependam das negociações com o Vaticano. Excluiu reembolsos da CASS por agora, priorizando a preservação do quadro institucional de Andorra sobre o cumprimento total do Pacto. "Não podemos manter o sistema institucional ao mesmo tempo que alcançamos o máximo cumprimento do Pacto", observou Baró, defendendo passos graduais, limitados pela Constituição.
O incidente de 2019, levantado perante o Comité da ONU para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), provocou polémica, mas caiu no esquecimento após uma queixa-crime contra a presidente da Stop Violències, Vanessa Cortés Mendoza, pelas suas próprias declarações na ONU. Tor antecipa novas recomendações de despenalização no próximo relatório da ONU sobre Andorra.
Fontes originais
Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao:
- El Periòdic•
Baró fixa l’estiu com a nova data per traslladar el text de la despenalització de l’avortament al Consell General
- ARA•
Govern tindrà enllestida la despenalització de l'avortament abans de l'estiu
- Diari d'Andorra•
Govern preveu que la despenalització de l'avortament arribi al Consell "abans de l'estiu"
- Bon Dia•
L'esborrany per la despenalització de l'avortament, abans de l'estiu
- Altaveu•
Govern va corregir les declaracions de Mingorance sobre l'avortament davant Nacions Unides