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Politica·

Investimento do Governo de Andorra Cai para 12% do Orçamento com Aumento das Despesas

Oposição alerta que custos operacionais elevados e novas agências reduziram o investimento de capital de 27% em 2012 para 81 milhões de euros atualmente, arriscando a dívida.

Sintetizado a partir de:
El PeriòdicARA

Pontos-chave

  • Investimento caiu de 169M€ (27%) em 2012 (orçamento de 647M€) para 81M€ (12%) no atual orçamento de 806M€.
  • Despesas operacionais dispararam, cobrindo salários, utilities e serviços externalizados — inflexíveis se as receitas caírem.
  • Criadas 15 novas agências independentes desde a Constituição, muitas a duplicar funções e a inchar o pessoal.
  • Agências usadas para colocar fiéis do partido governante, priorizando operações sobre infraestrutura.

O investimento governamental em Andorra caiu de 27% do orçamento total em 2012 para 12% no atual orçamento de 806 milhões de euros, deixando apenas 81 milhões de euros para projetos de capital e pagamento de dívida, alertou o conselheiro da oposição Cerni Escalé, do Concòrdia.

O orçamento de 2012 totalizava 647 milhões de euros, com 169 milhões de euros dedicados ao investimento. Escalé atribui a queda ao aumento das despesas operacionais, que considera os itens mais inflexíveis do orçamento. Estas cobrem os custos quotidianos da administração pública, incluindo salários do pessoal, utilities, manutenção de edifícios, serviços externalizados e despesas rotineiras.

«Se as receitas caírem no próximo ano, não pode simplesmente reduzir os salários dos funcionários públicos ou despedi-los», disse Escalé. Acusou o governo de assumir um crescimento económico sustentado para financiar a sua força de trabalho alargada. Sem isso, previu, os salários dependeriam de novo endividamento público, tornando o investimento inviável.

Escalé ligou ainda o aumento das despesas à criação de «agências paralelas», como a Agência Nacional de Cibersegurança e a Andorra Digital, lançadas há poucos meses. Andorra criou 15 agências e institutos independentes desde a aprovação da Constituição, notou, algumas essenciais como a administração da justiça — anteriormente mais dependente dos co-príncipes —, mas muitas outras evitáveis. Nos últimos 14 anos, argumentou, proliferaram entidades supérfluas, multiplicando o pessoal ao duplicar funções que o governo poderia gerir diretamente.

Estas entidades servem também para manter a influência política, alegou Escalé, com cargos de liderança atribuídos a executivos do partido governante Demòcrates per Andorra ou aos seus apoiantes.

Os comentários sublinham as crescentes tensões nas finanças públicas, com as prioridades operacionais a eclipsarem a infraestrutura e a redução da dívida.

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