Jornalista Ucraniano-Americano Visita 44 Países para Avaliar Visões Globais sobre a Guerra na Ucrânia
Peter Zalmayev, jornalista ucraniano-americano, visitou mais de 40 países em dois anos para discutir o conflito na Ucrânia e ouvir perspetivas diversas.
Pontos-chave
- Visitou 44 países incluindo África, ilhas do Pacífico e Andorra para debater a guerra na Ucrânia.
- Encontra forte apoio na Austrália/Nova Zelândia; ambiguidade ou inclinação pró-Moscovo na África do Sul, Zimbabué.
- Explica a dissolução da URSS e destaca a propaganda russa que desestabiliza a unidade global.
- Pessimista sobre a fase de atrito da guerra, mas otimista com diplomacia centrada no humano.
O jornalista ucraniano-americano Peter Zalmayev passou dois anos a viajar para mais de 40 países para avaliar as perceções globais sobre a guerra na Ucrânia e promover o diálogo sobre o conflito.
Antigo apresentador do programa semanal de assuntos internacionais *The Week* na televisão ucraniana durante mais de 12 anos, Zalmayev também apareceu em entrevistas em canais como a CNN e a BBC. Sentindo-se exausto, decidiu embarcar numa nova fase visitando regiões que sempre quis explorar, de Joanesburgo e Quénia a Madagáscar, as Seychelles e ilhas do Pacífico — um total de 44 países até agora. As suas paragens recentes incluíram pequenos territórios europeus como Andorra.
A viagem não é uma mera excursão turística, mas uma missão para discutir a guerra na Ucrânia. «Não vou a lugares para dizer às pessoas no que devem acreditar sobre a guerra. Quero iniciar uma conversa», disse Zalmayev durante a sua visita a Andorra la Vella. Partilha a sua perspetiva sobre a Ucrânia enquanto ouve os locais, fala com políticos, jornalistas, motoristas de táxi e cidadãos comuns. Por sua vez, relata aos ucranianos as opiniões desses países distantes.
Em Andorra, destacou o papel dos microestados: têm votos na ONU e devem defender a soberania ao mesmo tempo que prestam apoio humanitário. «Isto afeta-nos a todos», observou, alertando que as tendências globais atuais favorecem líderes que priorizam o poder sobre o direito internacional.
Zalmayev descreveu reações variadas em todo o mundo. Em nações remotas do Pacífico ou da África subsariana, o conhecimento do conflito é limitado e complexo. Alguns Estados africanos conservam memórias positivas da União Soviética pelo seu apoio anticolonial. «A minha tarefa é muitas vezes explicar que a União Soviética já não existe, que a Ucrânia fazia parte dela e que a Rússia não é a URSS», disse.
A Austrália e a Nova Zelândia mostram apoio quase unânime à Ucrânia e identificação clara do agressor. Na África do Sul, no Zimbabué ou no Burundi, as posições oficiais são mais ambíguas ou inclinadas para Moscovo. Apontou os sofisticados esforços de propaganda da Rússia, que apoiam quaisquer forças políticas que erodam o consenso ou a unidade, independentemente da ideologia, para fomentar a desestabilização.
Sobre a trajetória da guerra, Zalmayev expressou pessimismo, chamando-lhe uma guerra de atrito em que a questão chave é quem o tempo favorece. A Rússia sofre baixas, mas não suficientes para parar os combates. Putin, disse, prolonga as negociações enquanto aterroriza civis. O conflito envolve agora grande parte da sociedade russa em torno de uma «narrativa existencial», embora bolsões de resistência civil persistam em silêncio.
Apesar dos desafios, Zalmayev mantém-se otimista, continuando a sua digressão global para falar, ouvir e lembrar as pessoas de que a geopolítica envolve vidas humanas.
Fontes originais
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