Juíza de Andorra Nega Relações Íntimas Amid Recusa, Desencadeia Debate sobre Reforma Judicial
Núria García Val refuta alegações de relação pessoal que levaram à sua remoção de um caso, enquanto líderes destacam recusas e andorranização.
Pontos-chave
- García Val afastada do caso pelo Tribunal Constitucional após recusa do Ministério Público por alegadas ligações; ela insiste que a relação é puramente profissional.
- Presidente do CSJ Rossell alerta que o aumento de recusas em Andorra pequena arrisca deixar sem juízes disponíveis.
- Debate intensifica-se sobre andorranização judicial vs. contratações externas, amid contestação à nomeação de magistrada catalã.
- Ano judicial marcado por faltas de pessoal que atrasam casos; esperam-se reforços.
Núria García Val, presidente do Tribunal de Corts, negou firmemente qualquer relação íntima com um advogado acusado num caso do qual foi afastada na sequência de um pedido de recusa do Ministério Público. Em declarações ao Diari d'Andorra, sublinhou que o seu único vínculo com o advogado é profissional, resultante de funções judiciais standard. «Sempre fui imparcial, e a minha relação com o advogado acusado é puramente profissional», afirmou.
O Ministério Público elevou a recusa ao Tribunal Constitucional, que aprovou o seu afastamento do caso. García Val expressou respeito pela decisão, contestando a afirmação da acusação de uma ligação pessoal. «Se o Tribunal entendeu que devo afastar-me, só posso respeitar a decisão», comentou.
Esta disputa ocorreu em paralelo a uma queixa da Silvestre Advocats, a firma do advogado, que contestou o processo de recusa por falhas processuais e substantivas. A firma alertou que tais ações podem fomentar incerteza jurídica e violar o direito a um juiz predeterminado.
García Val descreveu o ano judicial passado como «muito delicado» devido a faltas de pessoal que entravaram as operações e atrasaram a resolução de casos. Expressou otimismo de que os reforços de pessoal planeados melhorem a eficiência e aliviem as cargas de trabalho no novo mandato.
O episódio reacendeu o debate sobre o sistema judicial de Andorra, com Josep Maria Rossell, presidente do Conselho Superior de Justiça (CSJ), a apontar o aumento de recusas como uma vulnerabilidade central. Numa nação pequena, explicou, os juízes partilham frequentemente papéis prévios como procuradores ou autarcas, gerando conflitos que dificultam a constituição de tribunais. Recusas recentes pela própria acusação — um passo sem precedentes — agravam o problema. «Estamos a recusar cada vez mais magistrados; se esta tendência persistir, ninguém poderá julgar nada neste país», alertou Rossell.
Rossell abordou também os desafios em curso às nomeações judiciais, defendendo o quadro atual que permite juristas externos ao lado de vias internas. Este sistema, argumentou, está alinhado com a Constituição de 1993 e adequa-se à demografia de Andorra, onde a andorranização total permanece impraticável. «A andorranização já está em vigor, mas não pode ser a 100% num país pequeno como o nosso», disse ao Altaveu.
O CSJ reiterou recentemente esta posição num caso no Tribunal Superior intentado pela autarca Alexandra Terés, que contestou a seleção da magistrada catalã Míriam de Rosa para um cargo no Tribunal de Corts em detrimento da sua própria candidatura. Apoiada por figuras como o antigo procurador Alfons Alberca e o juiz do TEDH Canòlic Mingorance, Terés defendeu a andorranização completa. Rossell contrapôs que a disputa testa a constitucionalidade das contratações externas, não a escolha específica, insistindo que o processo segue as leis de justiça qualificada. «Há quatro vias para entrar na carreira judicial — três internas e uma externa — e usámo-las todas corretamente», afirmou. O caso, avançado mas potencialmente rumo a revisão constitucional, sublinha tensões sobre a independência e composição judiciais.
Fontes originais
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